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quarta-feira, 25 de maio de 2016

ORAÇÃO AOS SETE CIGANOS

                                                              

Sete ciganos! 

Que eu possa olhar a estrada de terra batida, as pedras do caminho e sentir vossas presenças. Quando me sentir só, que eu possa olhar para as árvores da estrada e sentir através de leve aragem as vossas forças.

Que na minha tristeza eu escute o som do violino cigano e que se torne impossível eu ficar impassível, porque é a vossa música dizendo que estás junto de mim.

Que eu possa deixar o orgulho, a tristeza, as decepções e obstáculos na Terra, pois nada mais existe perante toda essa festa de cores, toda essa luminosidade que vem do arco íris e representa as irradiações dos Sete Ciganos.

Que eu me sinta purificado neste ritual de cores e beleza.

Feliz vitorioso com a presença dos Sete Ciganos na minha estrada.
Assim seja.

                                                           

segunda-feira, 23 de maio de 2016

QUANDO PARECE O FIM...


                                                                                 

Muitas vezes achei que era o fim. Não só na vida material, como também na vida imaterial. Tudo parecia negro. Já não existia solução. Entregava-me ao desespero e só fazia chorar e lamentar -  lamentar e chorar. Olhos umedecidos, não conseguia ver. 

Coração fechado, não conseguia sentir. Mente aprisionada, não conseguia pensar.

Era a visão do inferno. “O queimar deve ser assim”, pensava. Não sabia eu, que tudo dependia de mim. Era necessário dar lugar ao céu que habitava dentro de mim mesma. 

Céu, inferno, melhor mudar está nomenclatura. Que tal abismo e paraíso? 
Não parece politicamente correto também. Melhor descrevê-los sem simbolismos.

Quando parecia não ser possível conquistar meus sonhos e planos, adormecia na vida. Cansada, exausta dos fracassos que a “vida me impunha”, preferia optar pelo sentar, reclamar, chorar. Sentia-me sem força. Desencorajada a seguir. 

Considerava como melhor opção: desistir. Para que continuar lutando pelo impossível?

Não dava ouvidos aos sons luminosos que me chegavam: bons conselhos, palavras de incentivo, oportunidades. Não era possível ouvi-las, estava surda pelo tampão da incapacidade. Do mesmo modo não conseguia ver os pontos luminosos que me chegavam: oportunidades, encontros com lugares e pessoas. Estava cega, pelo tampão da incapacidade.

Pois é, às vezes... Talvez seja melhor dizer: muitas vezes somos paralisados pelo tampão da incapacidade. Este ser fictício, ao mesmo tempo em que é real, bem real, que invade nosso espaço. Ou melhor, deixamo-nos ser invadidos por ele.

Gigante, mal-encarado, dedo apontado para nossas fraquezas e dificuldades, cruel e devastador. Chega impondo-nos suas críticas e desconfianças, massacrando-nos com seu ar debochado, desesperançoso e ameaçador da nossa felicidade. 

Não sei porque teimamos em lhe dar ouvidos. Porque damos-lhe voz, força e capacidade de devorar-nos como sua incompreensão da vida?

Fiz-me esta pergunta várias vezes e descobri coisas interessantes. Dei-lhe voz quando tinha medo de reconhecer minhas limitações e de verbalizar que me amava mesmo diante da existência das mesmas.  Dei-lhe força, todas vezes que me senti pequena diante do outro e quis esconder-me sem coragem de mostrar-me como verdadeiramente era. 

Capacitei-o a desestabilizar-me sempre que desrespeitei quem eu era para agradar ao outro, mesmo sem saber o que este outro realmente queria de mim.

É... Cada vez que amei mais o olhar do outro sobre mim do que a mim mesma, perdi-me, reverenciando o tampão da incapacidade que, fortalecido pela minha fraqueza e indisposição para lutar por mim, ganhava força para derrubar-me. E do chão não havia nada a fazer além de lamentar e chorar.

Porém algo acontecia. Não sei explicar. Ou talvez saiba? Era uma força interna que vinha se iluminando por labaredas externas. Um evento que ocorria sutilmente e, sem sentir, estava eu novamente de pé. Um pouco mais fortalecida, capaz de ergue-me.

Então, sacudia a poeira e seguia. Era um sentimento de autopreservação que parecia estar apagado, mas na verdade só adormecia? Ainda não sei explicar. Só sei que, encorajada, permitia que algo novo surgisse. Algo que ia de encontro ao tampão, arrancando-o parcialmente.

É um processo demorado, que leva tempo. Uns dias, ele parece estar todo presente, não permitindo a passagem de nenhuma fresta de luz e/ou som. Outros dias, de um buraquinho, surgia e radiava uma fresta pequenina de luz e/ou um sonzinho que ia crescendo luminoso, destruindo o restante que teimava ficar.

Vencido este, logo aparecia outro, relacionado a outros pontos de mim. Mas havia algo diferente. Parecia que eu já sabia o caminho. Parecia ainda difícil, mas já era mais fácil entreabri-lo. Deve ser a maturidade. Tenho fé que mais evoluída vou dar menos espaço para que ele se integre em mim.


Fonte: Casa de Caridade Esperança e Fé. Por Madalena.

                                                                             


sexta-feira, 20 de maio de 2016

A LEI DE CAUSA E EFEITO E AS SUAS ESCOLHAS

                                                                  



De acordo com a Lei de causa e efeito, tudo o que você plantou no passado você está colhendo agora. As suas escolhas de agora determinam o que vai colher no futuro.

Seja sincero: Você acredita que tudo vai dar certo pra você? Você confia em Deus, na Vida, em você mesmo? Você acha de verdade que a tendência é tudo dar certo sempre? Espero que sim.

Você conhece a Lei de causa e efeito. Você sabe que tudo o que você plantou no passado, você está colhendo agora; e o que você plantar agora vai colher no futuro. Isso é inquestionável. 
A Lei de causa e efeito é lei de Deus, é parte da justiça de Deus. Aliás, o que conhecemos de Deus são suas Leis. Justas e imutáveis.

Por conhecer a Lei de causa e efeito, algumas pessoas pensam que seu destino está praticamente traçado. Não é nada disso! Acreditar que o destino esteja escrito é determinismo. Isso não existe.

O que você plantou você tem que colher. Mas o modo como você fará a colheita é você quem determina. Os resultados da Lei de causa e efeito podem ser vistos como uma conta corrente. 
Você tem alguns débitos, mas também tem créditos. Você está um pouco endividado, mas pode ganhar o suficiente pra quitar suas dívidas e ficar com o saldo positivo.

Então você está vendo que não existe azar. Não existe fatalidade, não existe destino traçado. 
Você faz o seu destino a todo instante, está fazendo neste momento. Vou repetir a pergunta lá de cima: Você acredita que tudo vai dar certo pra você? E por que alguma coisa não daria certo pra você? Desde que seja algo honesto e bom, o normal é que dê certo.

Mas, me permita dizer isso, o seu pior inimigo é você mesmo. Na verdade, no fim das contas, o seu único inimigo é você mesmo. É claro que se você é uma pessoa amorosa e confiante, você não tem inimigos, nem você mesmo. Mas o que eu quero dizer com isso é que somos nós que nos boicotamos. Somos nós que jogamos contra. Somos nós que enchemos nossa mente com pensamentos negativos e inseguros.

É só isso o que pode atrapalhar tudo o que fazemos. O pensamento é criador. O que você pensa com força acontece. As primeiras máquinas fotográficas, lá em meados do século dezenove, precisavam ficar focadas alguns instantes para captar a imagem. Tudo tinha que ficar imóvel, senão saía borrado.

A sua mente é assim. O pensamento que fica imóvel em sua mente é o que predomina. O pensamento que predomina em sua mente, o pensamento que forma um padrão, é o que determina o que será atraído para você. Se você sente raiva, rancor, revolta, durante alguns minutos, as pessoas à sua volta inevitavelmente serão influenciadas por essas vibrações e talvez até queiram brigar com você. 
Se você sente amor, alegria, confiança e otimismo, as pessoas à sua volta certamente serão influenciadas por essas vibrações e irão sorrir, talvez tentar se aproximar e conversar com você.

É você quem determina o que acontece em sua vida. Você acha que seria possível que você nascesse destinado a sofrer, destinado a ver tudo na sua vida dar errado? Isso é ridículo! Essa crença na desgraça era tolerável tempos atrás, quando não tínhamos tanto acesso à informação e ao conhecimento. Os deturpadores do cristianismo nos deixaram acreditar em azar, em fatalidade. 
Isso servia aos seus interesses, dessa forma dominaram a maior parte da população por séculos e séculos.

Mas hoje é um primarismo imperdoável acreditar que as coisas estão fadadas ao fracasso. 
Você nasceu pra realizar, você nasceu pra criar, você nasceu pra ser feliz e inteligente. 
A vontade de Deus é que sejamos todos felizes. O destino do espírito imortal é a felicidade. 
Todos caminham para isso. O tempo que essa caminhada vai demorar depende de cada um de nós. Você decide por você. Você escolhe o que você quer sentir, pensar, falar e fazer na sua vida.
 
*Autor desconhecido.

                                                                         



domingo, 8 de maio de 2016

ORAÇÃO PARA OS DIAS DAS MÃES




 Pai, tu, sendo D'us, quiseste mostrar 
entre nós tua face materna...
Por isso criaste todas as mães! 
Peço-te por minha mãe,
sinal concreto e visível de teu amor entre nós.
Multiplicai os seus dias
em nosso meio!
Acompanha-a em todo riso
e em toda lágrima,
todo trabalho e toda prece,
todo dia e toda noite!
Que tua bênção cubra de luz
a vida de minha mãe para que,
inundada de ti, ela seja sempre mais
Presença do divino em minha vida. Assim seja.
FELIZ DIAS DAS MÃES.                                


                                                     

quinta-feira, 21 de abril de 2016

ESPELHO MENTAL


       

                                                 


"6. O espírito que se comunica por um médium transmite diretamente seu pensamento, ou esse pensamento tem por intermediário o espírito encarnado do médium?

É o espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo que serve para falar, e é preciso um laço entre vós e os espíritos estranhos que se comunicam, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe, e no fim do fio uma pessoa inteligente a recebe e a transmite". (L.M. - Cap. XIX, Segunda Parte, item 223)  



Os Espíritos foram claros ao dizer que o espírito do médium é o intérprete de seus pensamentos.

Sendo intérprete dos pensamentos dos espíritos comunicantes, é natural que a mensagem transmitida contenha algo do médium, assim como o espelho que reflete uma imagem o faça de acordo com as suas possibilidades.

Um espelho embaçado ou partido evidentemente refletirá imagem com tais distorções, embora o objeto refletido se mantenha ínegro.

O espelho mental do médium, portanto, é de fundamental importância no processo das comunicações intelectuais.

Semelhante às águas de um lago, o médium necessita zelar pela sua serenidade mental, para que a mensagem dos espíritos se reflita com a fidelidade possível.

É importante que o medianeiro, principalmente nas horas que antecedem uma reunião mediúnica, se preserve de abalos emocionais, de conversas desgastantes, de leituras exaustivas, de programas televisivos ou radiofônicos.

O ideal seria que o médium, preparando-se para uma tarefa, pudesse ouvir alguma música suave, de preferência orquestrada.

É lógico que a preparação maior do médium deve acontecer no dia-a-dia; mas, como sobre a Terra ninguém consegue fugir às lutas, poucas horas em que ele consiga se isolar dos problemas serão de grande valia para que os espíritos não encontrem tantos obstáculos mentais...

Compararíamos, ainda, a mente do médium a uma janela do tipo veneziana. Não raro, os nossos pensamentos conseguem alcançá-lo somente através de algumas poucas frestas... E devemos nos contentar com essa reduzida possibilidade, como igualmente o médium.

Muitos medianeiros manifestam a sua contrariedade por não lograrem resultados mais positivos com as suas faculdades; ora, se eles não nos oferecem melhores condições de trabalho, com que direito esperariam mais de nossa parte?!...

Diremos mesmo, sem qualquer preocupação com a modéstia, que nós, os desencarnados, até temos feito muito, em face das condições de trabalho que nos são oferecidos.

Às vezes, para conseguirmos escrever algumas linhas por dia através de um médium psicógrafo, precisamos postar-nos junto a ele quase que dia inteiro, à espera que encontre tempo para nós e nos ofereça sintonia.

Os confrades espíritas reclamam da pequena produção de romances mediúnicos, mas onde estarão os médiuns que, além de predisposição natural para Literatura, tenham paciência suficiente para recebê-los?!...

Para muitos espíritos, tem sido desanimadora a tarefa de tutelar um médium.

Além destes obstáculos apontados por nós, existem aqueles outros que se encarregam de criar os espíritos interessados em conturbar o intercâmbio positivo entre os dois mundos.

A facilidade com que os médiuns refletem os pensamentos dos espíritos infelizes é impressionante! Acontece, inclusive, que pelas "frestas da veneziana" a que nos referimos o médium, oscilando na sintonia, capte ao mesmo tempo, ideias que lhe são sugeridas pelos espíritos amigos e ideias que lhe vêm dos espíritos perturbadores. Por isto, numa mensagem podemos encontrar um pensamento de grande conteúdo filosófico e outro constituído de banalidades.

Para entendermos melhor o fenômeno a que acabamos de nos referir, recorramos à imagem do rádio em que uma emissora vê-se "invadida" por outra em sua própria frequência...

A frequência mental em que o médium procura manter-se em sintonia, estável em suas emoções, tem significado fundamental na mediunidade.

Como percebemos, o assunto é complexo, mas não devemos nos entregar ao desalento.

A mente vige na base de tudo, e, se queremos êxito em nossos empreendimentos, busquemos o equilíbrio.

Só de os médiuns tomarem consciência do que expomos será de grande proveito, porque, assim, poderão manter-se vigilantes e aprender a "selecionar" as ideias que captam.

Creiam que nós, espíritos comunicantes, também estamos sujeitos a essas oscilações mentais e não é igualmente sem grande esforço que conseguimos sustentar a sintonia na transmissão que desejamos.


*Livro: Somos Todos Médiuns, Capítulo 18, por Carlos A. Bacelli/Odilon Fernandes.

                                                             


terça-feira, 5 de abril de 2016

AMIGOS DISTANTES

                                                                

Ter um bom amigo é um dos maiores prazeres da vida. 
Contudo, ser bom amigo é um dos mais nobres e mais difíceis compromissos.
Nos dias em que vivemos, parece que esse compromisso vai se tornando mais árduo.
Crescemos ao lado de alguém, convivemos, tornamo-nos amigos inseparáveis.
Então, um dia, motivos profissionais, familiares ou financeiros nos remetem a outras paragens, muito distante desses amigos.
Os anos passam, as tarefas se multiplicam, a vida nos envolve com tantas coisas e o tempo vai se tornando sempre mais curto para os amigos... tão distantes.
Por isso, algumas dicas podem ser colocadas em prática, a fim de não se perder essa preciosidade que se chama amizade.

Primeiro: marquemos encontros.
A frequência com que poderemos fazer isso dependerá de tempo, distância, finanças e muitos outros fatores.
Contudo, se não for possível sempre, procuremos estar pessoalmente presentes, ao menos uma vez por ano.

Segundo: invistamos na telefonia.
O celular pode se tornar uma linha viva de comunicação entre amigos que estão longe um do outro.
Pensemos em nossa conta de celular como um investimento em nossas amizades.

Terceiro: usemos a tecnologia.
Enviemos e-mails, mas não fiquemos copiando e-mails enormes da internet, mensagens de outros.
Não. Escrevamos nós mesmos, com nossas palavras. Isso vale muito mais. Sejamos breves. 
Se o nosso tempo é precioso, o do amigo também é.
Mensagens retiradas da internet são recebidas às dezenas, duplicadas ou triplicadas. Não têm o mesmo valor.
O nosso e-mail será único e é isso que importa para a amizade.

Quarto: enviemos fotos.
Este é um modo excelente do amigo saber como estamos. Façamos fotos nossas, em diferentes lugares, em diversas situações e mandemos, vez ou outra, aos amigos.
Não esqueçamos de escrever uma notinha. Reconhecer nossas letras será sempre emocionante.

Quinto: passemos férias juntos.
Encontremo-nos em algum lugar, entre nossas cidades. Consultemos colônias de férias, hotéis, lugares agradáveis e combinemos passar uma semana divertindo-nos e renovando a amizade.
Coloquemos o papo em dia. Recordemos bons momentos e produzamos outros tantos para recordar, nos dias de separação que tornarão a acontecer.

Sexto: ao menos digamos oi.
Se estivermos muito ocupados, atolados em papéis e obrigações, sem tempo para respirar; se acharmos que não temos condições de escrever ou telefonar, separemos uns minutinhos para escrever uma mensagem breve: Oi, tudo bem?
Usemos a web, o skype e perguntemos: Tudo bem, aí? Até depois!
Mantenhamos as linhas de comunicação abertas.

Sétimo: oremos pelos nossos amigos.
A oração estabelece linhas de comunicação invisíveis, ao tempo em que, igualmente, estaremos rogando a proteção dos céus ao amigo que, por vezes, está passando por situação dolorosa.
Oremos sempre e com fidelidade. Recomendemos nossos amigos a Deus, aos bons Espíritos.
É possível que não consigamos seguir todos estes itens, mas tentemos, começando ao menos com um deles.
Porque o único meio de conservar um amigo é ser amigo.

Invistamos na bolsa de valores da amizade, todos os dias. Os lucros sempre serão compensadores.
Lembremo-nos: amigo verdadeiro é aquele que compartilha todas as tristezas e dobra as alegrias.
Sejamos amigo!
O amigo alegre é como um dia de sol, que lança seu brilho em tudo à volta.
Sejamos um dia de sol, todos os dias.

                                                                



sexta-feira, 1 de abril de 2016

É PRECISO SABER QUANDO UMA ETAPA CHEGA AO FINAL

                                               


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Partiu para viver em outro país? 
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus filhos, seus amigos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardio, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. 
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. 
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e ode fazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixa ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. 
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – NADA É INSUBSTITUÍVEL, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. 
Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. 
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. 

*Paulo Coelho.