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quarta-feira, 30 de março de 2016
A IMPERMANÊNCIA
Tudo em nossas vidas, posses, riquezas, relacionamentos é temporário e está em constante mutação.
Nosso corpo, fala, mente e ambiente mudam minuto a minuto, segundo a segundo.
No tempo em que uma agulha leva para perfurar sessenta pétalas de flor empilhadas uma sobre a outra, nada no universo permanece igual.
O nosso pior inimigo pode um dia vir a ser o nosso melhor amigo.
Casais hoje tão apaixonados que mal podem ficar separados por uma hora, depois de alguns anos poderão vir a sentir repulsa só de ver um ao outro.
Não há nada que não oscile, decaia ou se transforme. A vida é imprevisível, nossos processos mentais, instáveis. Nossos humores são susceptíveis às condições externas.
Em uma manhã acordamos contentes e tudo parece estar perfeito.
Todo movimento envolve mudança. Cada frase que falamos, ao terminar, dá lugar à próxima. Cada pensamento ou emoção desaparece e dá lugar a outro.
Isso acontece com tudo, em toda parte.
Simplesmente não estamos sintonizados com este processo, presumimos que alguma coisa vai durar até que, de repente, notamos que envelheceu.
No mesmo momento em que uma casa é construída já começa a se deteriorar; em cem anos ou menos, estará lamentavelmente danificada.
Apesar de devotarmos nossa vida e satisfazer nossas necessidades e ânsias, qualquer felicidade que encontremos será fugaz. Fazemos planos baseados em coisas que constantemente nos escapam pelos dedos.
Quando menos esperamos, elas serão memórias distantes.
Quantas vezes fomos felizes? Quantas vezes ficamos tristes? Alegria e tristeza vêm e vão o tempo todo. Nenhuma delas dura muito.
Cada emoção e cada paixão surge momentaneamente e desaparece como um desenho traçado com o dedo na água. Precisamos perceber que não temos liberdade nem controle.
Não podemos escolher quanto tempo iremos viver ou como iremos morrer.
Não queremos envelhecer, ainda assim envelhecemos.
Não queremos adoecer, ainda assim adoecemos.
Não queremos morrer, ainda assim a morte é inevitável, ela pode vir a qualquer momento, quer sejamos jovens, velhos, saudáveis ou enfermos; isso é irrelevante.
Por mais maravilhosas que possam ser nossa família, nossa carreira ou nossas posses, não levaremos nenhuma delas para além do umbral da morte.
E no dia seguinte de nossa morte, nossos entes queridos não vão querer nosso cadáver em casa.
Se entendêssemos que os objetos aos quais nos apegamos são como miragens ou bolhas, o nosso apego enfraqueceria. Se soubéssemos que todo relacionamento é frágil e propenso a mudança, perceberíamos que não há tempo para conflitos.
Se compreendêssemos verdadeiramente que podemos não ter mais um dia sequer, pelo menos não destruiríamos as nossas oportunidades e as dos outros de desfrutar dessa vida enquanto a temos. Quando sabemos que cada momento pode ser o último, teremos a perspectiva correta.
Algumas pessoas acham que a ideia de impermanência é deprimente, mas ela é realmente a verdade da nossa experiência. Da mesma maneira que o fogo é quente e a água molhada, a impermanência é apenas o que é; ela não é boa nem má.
Aceitá-la cura o pensamento mágico de que podemos protelar o processo inexorável da mudança, e nos dá uma capacidade maior de aceitação e mais alegria.
*Chagdud Tulku Rinpoche.
sábado, 12 de março de 2016
O SACRIFÍCIO DE ESTEVÃO
“Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado.” – Atos, 7:60.
J. Martins Peralva
J. Martins Peralva
O comportamento de Estêvão, no supremo instante do martírio, constitui um dos mais tocantes episódios da História do Cristianismo, narrado em Atos dos Apóstolos e descrito com rara beleza em Paulo e Estêvão, majestoso romance que Emmanuel nos ofertou, por monumento extraordinário, através da mediunidade ímpar de Francisco Cândido Xavier.
Saulo, que a Visão de Damasco transformaria, oportunamente, em Paulo de Tarso, hercúlea figura dos fastos evangélicos, comandava o massacre do moço grego, no apedrejamento cruel. Cenário: o pátio do Templo.
Saulo que, di-lo a narrativa de Lucas, “assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere”.
Há muita literatura, religiosa e não religiosa, aconselhando o perdão, louvando a misericórdia, exaltando o espírito de renúncia, concitando-nos ao amor para com os adversários.
A experiência de Estêvão, contudo, é bem diferente.
É a própria vítima, cruelmente apedrejada de todos os ângulos, que intercede pelos desumanos algozes, junto à Divina Misericórdia: Senhor, não lhes imputes este pecado.
É um jovem, quase uma criança, no verdor dos anos, inflamado de ternura, convertido num monte de carne ensanguentada, o belo rosto dilacerado pela pedras, que sobrepõe o entendimento, que gera o perdão sublime, à sua própria amargura, buscando compreender, na justificação carinhosa, o espírito voluntarioso, embora sincero, de outro moço, noivo de sua irmã, que defende princípios de justiça que a Mensagem do Carpinteiro de Nazaré indicava como respeitáveis, mas contrários à suavidade dos Céus.
As escrituras falavam, realmente, de justiça.
E Saulo, ardoroso defensor da Lei Antiga, fiel servidor de Moisés, assimilara-lhe a interpretação dogmática, nos encontros do Sinédrio, o famoso tribunal israelita, onde a hegemonia da letra, em detrimento do espírito, era uma constante nas longas discussões de rabinos eruditos.
Estêvão, alma sensível, coração meigo e delicado, conhecia, desde as primeiras horas da existência, no lar em Corinto, a mensagem antiga, cultivada com acendrado amor por seus honrados e nobres antepassados; sua alma, todavia, sublimava-se em manifestações de ternura e bondade, de que se opulentavam os ensinos de Jesus.
Na concepção de Saulo, matar aquele moço, irresistível e fascinante em sua humildade, significava extinguir a influência do Carpinteiro Galileu.
Estêvão, no entanto, entendia que se imolar por amor a Jesus, simbolizado na mensagem de eterna ressurreição por Ele trazida, significava a glória maior para um ser humano: oferecer tributo de reconhecimento àquele que viera ao mundo para redimi-lo.
Saulo era, assim, o paladino da Justiça.
Estêvão, o suave jardineiro do Amor.
O primeiro, vinculado à tradição, apegara-se a Moisés, o enérgico legislador hebreu, que se lhe instalara no cérebro privilegiado, incendiando-lhe o coração na arena dos conflitos religiosos.
O segundo, respirava paz interior. Alimentava-se no clima de Amor com que o Mestre aquecera a Terra, desde o primeiro momento da manjedoura singela.
Saulo queria a morte de um homem, em sua expressão corpórea, na ilusão de que se perderiam com ele, no pó da sepultura, eternos conceitos de fraternidade.
Estêvão aceitava o desprendimento físico, a libertação do Espírito, na certeza de que a Imortalidade brilharia em favor dos homens, para todos os tempos, em função dos sublimados ideais que o Divino Emissário, sacrificado à ira humana aos trinta e três anos, deixara na Terra como régio presente do Céu.
A morte de Estêvão, em circunstâncias extremamente bárbaras, enfrentada com um estoicismo que somente mais tarde Paulo viria a entender, marcaria, para sempre, o espírito e o coração daquele moço ardoroso, que, anos depois, amadurecido na luta e no sofrimento, encarnaria a mais notável figura do Cristianismo nascente.
Dos despojos de Estêvão, o jovem mártir, no pátio do Templo, nasceria o indomável Apóstolo da Gentilidade.
A vítima pedir em favor dos algozes?!…
A indagação alojara-se no espírito do moço tarsense, à maneira da semente que fecunda o trato de solo, fendido pelo golpe do lavrador, para se converter depois em frondosa árvore.
Saulo, que durante longo tempo “respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor”, não resistira à lembrança do pedido de clemência de Estêvão: Senhor, não lhes imputes este pecado.
Suas últimas resistências desmoronar-se-iam na ensolarada estrada conducente a Damasco, quando, enfurecido, buscava “os homens do Caminho”, para infligir-lhes a humilhação e o açoite, o cárcere e a morte.
O gesto de Estêvão, rogando compreensão para Saulo e seus agressivos companheiros, reeditando o “Pai, perdoa- -lhes porque não sabem o que fazem”, preparava o encontro pessoal do tapeceiro de Tarso com o próprio Senhor, a quem combatia, desesperada e incessantemente.
Imolou-se, realmente, uma grande vida, no apedrejamento insano.
Dilacerou-se, na verdade, um corpo jovem, em plenitude vital, para que uma alma idealista e generosa, calejada em milenárias experiências, ressurgisse no Plano Espiritual, triunfante em sua gloriosa missão, enquanto Paulo, no Plano Físico, nascia para a Verdade e a Luz.
Milhões de almas, espalhadas nos continentes terrestres, recolhem, hoje, as bênçãos da semeadura evangélica, realizada com destemor pelo ex-verdugo dos cristãos – semeadura que revelava não apenas a sabedoria de suas inolvidáveis epístolas, a ação valorosa e constante no disseminar as claridades da Boa-Nova, mas, igualmente, plena identificação com os ideais do Senhor: Já não sou eu quem vive, mas o Cristo que vive em mim!
Quem ama, perdoa.
Estêvão amava a Jesus, a Saulo, a humanidade inteira.
Só o amor, em sua mais elevada expressão, pode conduzir-nos aos páramos da Glória Imarcescível.
*Fonte: Reformador, ano 88, n. 3, mar. 1970, p. 11(55)-12(56).
terça-feira, 1 de março de 2016
NECESSÁRIO E DISPENSÁVEL
As indústrias do supérfluo apresentam no mercado da vacuidade um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos.
Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder, o que vêem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente.
Objetos e máquinas que são o último modelo, em pouco tempo passam para o penúltimo lugar, até ficarem esquecidos em armários ou depósitos de coisas sem valor.
No entanto, se não fossem adquiridos, naquela ocasião, a vida perderia o sentido para quem os não comprasse.
Consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário.
O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam.
Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão.
Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando.
Enquanto grande número de indivíduos se afogam no oceano do supérfluo, multidões inteiras não possuem o indispensável para uma vida digna.
Abarrotados, uns, com coisas nenhumas, e outros vitimados por terrível escassez.
São os paradoxos do século e do comportamento materialista-utilitarista da atualidade.
Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo.
Coisas de fora não equacionam estados íntimos. Distraem a tensão por um momento, sem que operem real modificação interior.
Quando o excesso te visite, reparte-o com a escassez ao teu lado.
Controla e dirige a tua vontade, a fim de não seres uma vítima a mais do tormento consumista.
* JOANNA DE ÂNGELIS - Psicografia: Divaldo Pereira Franco - Livro: Episódios Diários.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
RELIGIÕES
"Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim.
Ou são ramos da mesma árvore majestosa.
Portanto, são todas verdadeiras".
Ou são ramos da mesma árvore majestosa.
Portanto, são todas verdadeiras".
A frase que você acabou de ler foi dita por uma das mais importantes personalidades do século vinte: o Mahatma Gandhi.
Veja quanta sabedoria nas palavras do homem que liderou a independência da Índia sem jamais recorrer à violência!
Nos tempos atuais, são raros os que realmente têm uma posição como a de Gandhi, que manifestava um profundo respeito pela opção religiosa dos outros.
Muitas pessoas acreditam que sua religião é superior às demais.
Acreditam firmemente que somente elas estão salvas, enquanto todos os demais estão condenados.
Pouquíssimas pensam na essência da mensagem que abraçam, já que estão muito preocupadas em converter almas que consideram perdidas.
E, no entanto, Deus é Pai da Humanidade inteira. Todos nós temos a felicidade de trazer, em nossa consciência, o Sol da Lei Divina. Ninguém está desamparado.
De onde vem, então, essa atitude preconceituosa, exclusivista, que nos afasta de nossos irmãos?
Vem de nosso pensamento limitado e ainda egoísta. Quase sempre o homem acredita que tem razão.
Imagina que suas opiniões, crenças e opções são as melhores. Você já notou que a maior parte das pessoas acha que tem muito a ensinar aos outros?
É que, em geral, as pessoas quase não se dispõem a ouvir o outro: falam sem parar, dão opiniões sobre tudo, impõem sua opinião.
São almas por vezes muito alegres, expansivas, que adoram brincar.
Chamam a atenção pela vivacidade, pelos modos espalhafatosos, pelas risadas contagiantes e pelas conversas em voz alta.
Mas são raras as vezes em que param para escutar o que o outro tem a dizer.
São como crianças um tanto egoístas, para quem o Mundo está centrado em si ou na satisfação de seus interesses.
É uma atitude muito semelhante a que temos quando acreditamos que o outro está errado, simplesmente por ser de uma religião diferente. É que não conseguimos parar de pensar em nossas próprias escolhas.
Não estudamos a religião alheia, não nos informamos sobre o que aquela religião ensina, que benefícios traz, quanta consolação espalha.
Se estivéssemos envolvidos pelo sentimento de amor incondicional pelo próximo, seríamos mais complacentes e mais atentos às necessidades do outro.
E então veríamos que, na maioria dos casos, as pessoas estão muito felizes com sua opção religiosa.
A nossa religião é a melhor? Sim, é a melhor. Mas é a melhor para nós.
É óbvio que gostamos de compartilhar o que nos faz bem. Ofertar aos outros a nossa experiência positiva é uma atitude louvável e natural.
Mas esse gesto de generosidade pode se tornar inconveniente quando exageramos.
Uma coisa é ofertar algo com espírito fraternal, visando o bem.
Mas diferente quando desejamos impor aos demais a nossa convicção particular.
Se o outro pensa diferente, respeite-o! Ele tem todo o direito de fazer escolhas.
Quem de nós lhe conhece a alma? Ou a bagagem espiritual, moral e intelectual que carrega?
Deus nos deu nosso livre arbítrio e o respeita. Por que não imitá-Lo?
Enquanto não soubermos amar profundamente o próximo, respeitando-lhe as escolhas, não teremos a atitude de amor ensinada por todas as religiões e pelos grandes Mestres da Humanidade.
*D.A.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
O AMOR
É através do amor,que encontramos o caminho que nos leva a Deus.
É através do amor, que entendemos o verdadeiro significado da vida.
A vida é a grande manifestação do amor de Deus.
A vida é a grande oportunidade de se aprender a amar.Aprender a amar é o grande trabalho a ser realizado. O amor, traz consigo o sentimento da compaixão e da caridade.Vivemos para amar.
E o amor é a única grande força que pode nos unir.
Quando o amor nos uni,nos mostra também que somos todos iguais e aí, aprendemos que somos um só. Descobrimos, então, que a nossa alegria é a alegria de todos, e que a nossa tristeza é a tristeza de todos. Que a nossa luz é a luz de todos, e que a nossa escuridão é a escuridão de todos.
Aprendemos que tudo que fazemos aos outros estamos fazendo a nós mesmos.
Se ajudamos aos nossos irmãos estamos também nos ajudando.
Se damos a mão a quem precisa, também nos apoiamos nela, pois ninguém chegará ao fim do caminho sozinho. Enquanto o último de nós não encontrar seu caminho,a grande porta não se abrirá.
Ajudar aos outros é ajudar a si mesmo. Amar aos outros é também amar a si mesmo.
O amor é a única força que se renova. Quanto mais se dá, mais se torna forte.
Só ensinando podemos aprender, só dando podemos receber. Fortalecendo nosso irmão,também receberemos dele a força de que precisamos para seguir nosso caminho.
Dando de comer a quem tem fome, fortalecemos nosso irmão e ele nos ajudará a chegar mais rápido ao nosso destino. Iluminando os olhos de quem precisa,eles também nos ajudarão a enxergar nosso caminho. Ninguém pode guardar para si um pedaço da luz. Se a luz é trancada ela se transforma em escuridão. A luz só vive no coração aberto. Quem ama vive na paz e a paz é luz. A tempestade só reina na escuridão,ela nunca vem enquanto o sol está brilhando.
Vivemos na luz, vivemos na paz. Quem vive na luz ilumina os caminhos escuros e pode guiar aqueles que ainda não encontramos verdadeiro caminho. Ela afasta os sentimentos escuros do nosso coração e ilumina nossa alma. E um coração iluminado é como uma casa limpa, aonde não vivem os seres que se alimentam da escuridão. Se o nosso coração está iluminado,não existe nele nenhum sentimento de ganância,nem de ódio e nem de tristeza. Nossa alma é como um jardim onde só devemos plantar aquilo que pretendemos colher. Quem planta flores e distribui sementes,está ajudando a tornar seu próprio caminho mais perfumado e mais feliz. Quem planta e distribui espinhos,poderá rasgar as roupas e machucar as próprias mãos na sua caminhada.
Quem anda por um caminho iluminado sabe com certeza aonde deve pisar,e tem fé que chegará ao seu destino. O caminho é um só para todos. Quem cuida de sua estrada, ajuda a todos que por ali passarão. Quem tem verdadeiramente fé,não guarda nenhuma dúvida em seu coração.
A fé é a certeza e a certeza nos mostra um só caminho. Quem não tem fé, vê muitos caminhos e não sabe por onde seguir.E ai então, perde muito tempo andando por muitos lugares.Só se pode receber ajuda quando se tem fé em quem está nos ajudando. E quando também somos sinceros em nossas próprias necessidades. Só podemos receber ajuda se realmente estamos querendo ser ajudados, e para isso temos que nos colocar em condições de receber.
Para receber ajuda temos que ter fé. E a fé é a certeza. Quem precisa de ajuda não sabe qual é o caminho a seguir,e por isso precisa se deixar guiar sem dúvidas nem resistências. Só se dá valor a um presente quando se precisa dele. Pedir aquilo de que não se precisa é tirar do outro a oportunidade de receber o que ele esperava. Pedir o que não se tem necessidade é juntar coisas que pesarão e atrapalharão a nossa viagem. Aquilo que não serve para você, pode servir para alguém que está a seu lado.
Carregar aquilo de que não se precisa é carregar um peso inútil. Dando o que você não usa estará esvaziando o seu coração, para receber aquilo de que realmente precisa. Saber separar aquilo que queremos daquilo que realmente precisamos, é o início de um caminho de aprendizado, de paz e de amor.
Quem aprende a amar, aprende a estar perto de Deus. E Deus é Luz e Paz. É o verdadeiro e único Amor.
* Cabocla Jurema.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES
Quem "Cobra" por Graças que vem de Deus, pois todos nós, somos Simples Instrumentos da Santa, Sábia e Soberana Vontade Dele, está como continua dizendo Jesus: "Falsos Cristos e Falsos Profetas, que receberão a mais dura condenação".
Os fenômenos espíritas, longe de confirmarem os falsos cristos e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, vêm, pelo contrário, dar-lhes o último golpe. Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz. Da mesma maneira que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia, revelaram as leis do mundo material, ele vem revelar outras leis desconhecidas, que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual. Essas leis, tanto quanto as científicas, pertencem também à natureza. Dando, assim, a explicação de uma ordem de fenômenos até agora incompreendidos, o Espiritismo destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso.
Como se vê, os que fossem tentados a explorar esses fenômenos em proveito próprio, fazendo-se passar por enviado de Deus, não poderiam abusar por muito tempo da credulidade alheia, e bem logo seriam desmascarados. Aliás, como já ficou dito, esses fenômenos nada provam por si mesmos: a missão se prova por efeitos morais, que nem todos podem produzir. Esse é um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita, que pesquisando a causa de certos fenômenos, levanta o véu de muitos mistérios. Os que preferem a obscuridade à luz, são os únicos interessados em combatê-la. Mas a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.
O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e se disfarçam com nomes veneráveis, para procurar, através da máscara que usam, tornar aceitáveis as suas ideias, frequentemente as mais bizarras e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira mais ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação. O número dos que, em diversas épocas, mas sobretudo nos últimos tempos, se apresentaram como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, e até mesmo como Deus, é considerável.
São João nos põe em guarda contra eles, quando adverte: “Meus bem amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. O Espiritismo nos oferece os meios de experimentá-los, ao indicar as características pelas quais se reconhecem os bons Espíritos, características sempre morais e jamais materiais. (Ver o Livro dos Médiuns, Caps. 24 e segs.). É sobretudo ao discernimento dos bons e dos maus Espíritos, que podemos aplicar as palavras de Jesus: “Reconhece-se a árvore pelos seus frutos; uma boa árvore não pode dar maus frutos, e uma árvore má, não pode dar bons frutos”. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como a árvore pela qualidade de seus frutos.
*Antonio Carlos Piesigilli.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
NASCENTE DE BENÇÃOS
Recorda-te sempre de Jesus e, tomando-O como modelo, saberás como lidar com quaisquer situações ou pessoas na carne ou fora dos seus limites, agindo com fraternidade e misericórdia.
Desperta, em qualquer situação, os sentimentos de bondade e de compreensão, que são indispensáveis para todos os jornadeiros da evolução, no corpo ou fora dele.
Sê tu aquele que socorre os irmãos em trevas interiores, amargurados e odientos, que merecem carinho e piedade.
A tua existência se transformará naquilo que elaborares mentalmente.
Cada qual é aquilo que pensa. De acordo com as formulações elaboradas e as ondas emitidas, o mundo cósmico responde com igualdade de solicitações.
Inicia o costume de pensar no bem e no amor, sem as formulações apoiadas nos instintos primevos que ainda não foram superados.
Se aspiras atingir o cume da montanha altaneira e o seu oxigênio puro, respirarás regiões psíquicas possuidoras de elevadas cargas de saúde; se anelas pelo pântano pútrido, habitarás regiões pestilentas nas tuas paisagens interiores.
Diante dos irmãos desencarnados em aflição, distende o sentimento de compaixão e de solidariedade, envolvendo-os nas dúlcidas vibrações da prece intercessória.
O verdadeiro cristão está sempre vigilante em relação ao compromisso de amor e de servir. Não escolhe onde nem quando cooperar, permanecendo ativo em todos os seus momentos. A sua é a alegria de produzir no bem e de auxiliar a todos quantos se encontram na retaguarda.
O pensamento é fonte de vida e responde conforme a vibração mental que lhe é dirigida.
Quem não aprende a agradecer, não adquire valores para ser feliz.
Agradece, portanto, tudo que tens ou que te falta e a todos que te cercam.
Agradece o sol e a chuva que te proporcionam abundância de pão e de harmonia nas paisagens da Natureza.
Agradece a mão que se te dirige para apontar-te caminhos ou segurar-te na rampa da queda, evitando-te a defecção ou fracasso.
Aprende a agradecer, não apenas através de palavras, mas principalmente, por meio de fidelidade a quem te concede amizade e carinho, enriquecendo tuas horas com as concessões do progresso.
Agradece ao teu corpo a oportunidade de crescimento espiritual, dele cuidando com respeito e atendendo-o nas suas necessidades de evolução, ao tempo em que propicia maior campo para a cultura da inteligência e das emoções, ampliando as tuas horas no planeta que te serve de colo de mãe.
Agradece a educação que recebeste, aureolando-te de informações preciosas para a existência e abrindo-te espaços para o entendimento dos deveres que a reencarnação enseja.
Agradece a bondade e a rudeza com que sejas tratado, porque cada qual desempenha um papel importante na construção da tua personalidade e na definição dos teus rumos.
Agradece a luz do dia e a sombra da noite, encarregadas respectivamente de finalidades especiais na construção da vida terrestre.
Agradece ao amigo e ao inimigo a sua existência, retribuindo em bondade tudo quanto recebas de um ou de outro. Certamente amarás mais ao amigo, o que é natural, sem que se te faça necessário odiar o inimigo. O fato de não lhe desejar mal nem lhe retribuir as ofensas recebidas já representa nobre expressão do amor.
Agradece os sentidos de que estás constituído, mediante os quais podes manter contato com o Universo e descobres suas maravilhas.
Agradece as horas de reflexão e de tensão, porque ambas te constituem elementos de fortalecimento moral.
Agradece os limites que te caracterizem, porque, através deles, irás descobrindo as finalidades da vida, enquanto desenvolverás novas fontes de informação e de consciência.
Agradece toda e qualquer expressão do bem que te chegue, sem o qual dificilmente te enriquecerias de luz e progresso.
Agradece a paz e a luta que se alternem durante os teus dias. Fossem apenas de paz todos eles e perderias o significado, e se apressassem apenas em pelejas, a exaustão retiraria os incentivos para prosseguires, por desaparecimento de finalidade.
Nunca te canses de agradecer, seja qual for a circunstância em que encontres, servindo ao bem ou sofrendo as injunções educativas.
Quando Jesus recomendou o amor até mesmo aos inimigos, estimulou a gratidão por todas as concessões que a vida oferece aos viajantes humanos.
Ele mesmo agradeceu a Deus todos os tesouros que Lhe foram concedidos para o messianato que veio realizar e conseguiu desincumbir-se com superior qualidade de êxito, porque se fez a verdadeira representação do amor.
O hábito doentio de elaborar pensamentos perniciosos gera construções profundamente perturbadoras, que se transformam em tormentos incessantes na casa mental, agredindo as tecelagens delicadas do aparelho cerebral.
Anseios que não são concretizados na esfera física, não poucas vezes, constituem apelos do pensamento que exorbita nas suas necessidades, produzindo construções infelizes das quais ressumam com frequência as emanações morbíficas.
Os vícios mentais são verdadeiros algozes da alma humana, que devem ser combatidos com veemência, recriando-se outras ideias de natureza harmônica e saudável.
Indispensável pensar corretamente, a fim de construir situações agradáveis e compensadoras, que se transformam em campos de alegria de viver.
Desse modo, necessitas de corrigir os hábitos mentais, substituindo com segurança aqueles que são perversos, doentios e sensuais por outros de natureza edificante, que te possam enriquecer de bem-estar e saúde, fortalecendo-te o ânimo para a luta e as resistências morais par a vivência saudável.
Sempre que te ocorram pensamentos destrutivos, chocantes e aberrantes, transfere-te de imediato para outros que lhes sejam opostos, aclimatando-te a outras áreas de vibrações interiores.
Habitua-te, portanto, a pensar bem, a fim de que o Bem se te instale na mente e se derrame pelo coração através dos teus lábios, que ensinem e orientem e das tuas mãos, que socorram e dignifiquem.
* Joanna de Angelis / Divaldo Pereira Franco. Obra: Nascente de Bençãos.
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