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domingo, 14 de dezembro de 2014

POR QUE FERIMOS A NÓS MESMOS?




A madrugada é bela, pois, o silêncio se derrama sobre a cidade, campos e montanhas. 
O silêncio atua como um linimento colocado sobre nossos inúmeros ferimentos internos.
 E ainda são tantas as feridas, meu Irmão... 

E são tantas as cicatrizes que restaram daquilo que já conseguimos  suturar. 
 Pensamos por vezes que atingimos certo grau de entendimento e que na busca da sabedoria já galgamos o primeiro degrau da imensa escadaria que nos leva à Espiritualidade de Luz. Ilusões... Somos nós que construímos nossas próprias barreiras que não nos deixam galgar os degraus que nos levam à iluminação. 

Dentre os inúmeros entraves que nos impedem subir mais rápido a escadaria da luz, encontramos as conclusões precipitadas que nossa mente produz. 
Tiramos conclusões apressadas e cremos firmemente que elas são verdadeiras. 
E com base nesse convencimento tomamos atitudes que interferem em nossas vidas de modo geral. No campo profissional podem ser prejudiciais, no lar podem ser desastrosas, e podem inclusive, tais conclusões nos afastar de pessoas que nos são especialmente queridas. 
Um exemplo corriqueiro nos dá idéia do veneno que aplicamos em nós mesmos, senão vejamos: certo dia cruzamos com determinada pessoa de nosso conhecimento que não nos cumprimenta e nem mesmo nos dirige o olhar. 
Imediatamente, concluímos que aquele ser está aborrecido ou com raiva de nós ou ainda que tenha se tornado orgulhoso e não enxerga mais os amigos. 
A partir dessa conclusão, nossa mente pode ainda produzir muitas outras, pois, ela é uma usina mental, alimentada pelas turbinas do medo de rejeição, do complexo de inferioridade e da carência afetiva. 
E assim, por causa do “veneno” que produzimos para nós mesmos um relacionamento ou uma bela amizade pode chegar ao fim.

Diante da conclusão fantasiosa, e da veracidade que nossa mente lhe empresta, não damos chance alguma de defesa ao nosso suposto ofensor. 
Nossa mágoa silenciosa causada pelo sentimento de rejeição impede que o raciocínio negocie qualquer outra possibilidade para o acontecido, tal como, que aquele amigo esteja momentaneamente vivenciando problemas, ou que não tenha nos percebido passar naquela ocasião. 

Quantas conclusões e peças nossa mente nos rende... 
Na própria família, a falta de diálogo pode levar a mente a fantasiar situações que na realidade não existem, como por exemplo, o filho que se atrasa para o jantar.
 A mãe super protetora conclui que algo terrível possa ter acontecido ao filho, o qual na realidade ficou retido por um fato banal. 
A mente fantasiosa produtora de conclusões precipitadas também pode romancear situações segundo suas próprias expectativas, alimentando-se, portanto, de ilusões que podem alterar toda a normalidade da existência do indivíduo. 

Tirar conclusões de situações vivenciadas e levá-las para o lado pessoal é procurar ferir a si. 
POR QUE FERIMOS A NÓS MESMOS? A resposta é curta: PORQUE NÃO NOS AMAMOS O SUFICIENTE. Pessoas bem resolvidas e seguras de si não costumam tirar conclusões das atitudes de outras pessoas levando-as para o terreno pessoal.

Em assim sendo, meu Irmão, conclusões precipitadas precisam merecer nossa vigilância constante, eis que são como um inimigo que criamos em nosso interior. 
Elas impedem nosso aperfeiçoamento espiritual que busca a verdade pura e simplesmente.
 Desse modo, tão logo a conclusão é formada precisamos colocá-la sob o microscópio do nosso bom senso. Que tal uma comunicação com o amigo que nos ignorou na rua? 
Uma simples pergunta poderá nos dar a resposta que necessitamos para esclarecer a situação.

É hora de crescer, deixando de tirar conclusões e levar os acontecimentos para o lado pessoal. 
É hora de abandonar os sonhos criados por nossa imaginação.  
É hora de vencer o hábito de imaginar e concluir sobre situações criadas por nossa mente. 
Tudo que se encontra arraigado em nosso ser é difícil de combater. 
Desafios desse porte necessitam de vigilância diária e da força de vontade que caracteriza os vencedores de si mesmos. 
Em assim agindo estaremos serenos, tranquilos, e com nossa cota de amor-próprio diário que nos impulsiona a subir um a um os degraus da escadaria de luz.

Irmão Savas
(Mentor do Núcleo Espírita Nosso Lar).
                                                                 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

AMIZADE É O AMOR SUBLIMADO



Nascer e morrer são duas situações que deveriam ser encaradas pelos encarnados como uma coisa normal. A pessoa, para nascer, recebe ajuda de pessoas especializadas e na minha época em vida, de parteiras prestimosas era o chegar da vida. 
Ali era cortado o cordão umbilical, a criança respirava pelos seus pulmõezinhos e começava mais unia etapa reencarnatória, mais experiências, mais vivências, o resgatar de débitos, o assimilar de conhecimentos e a vida era recebida, na sua grande maioria com manifestações de alegria. 
Era um bebê que chegava, era uma vida nova. 

Quando a pessoa desencarna, ela tem os mesmos preparativos de quando ela nasce, ela parte para o inundo espiritual . 
Assim como existe para os que nascem o cordão umbilical, existe no plano espiritual o cordão fluídico, seja qual for a forma pela qual a pessoa desencarnou, com exceção de mortes violentas ou suicídio  que quando, não está tempo previsto, o cordão fluídico rompe se com violência  existem os mesmos aparatos, cortar o cordão fluídico, a importância desse seccionar o cordão fluídico paia que o espírito permaneça num mundo espiritual sem aquela força vital que pode lhe trazer alguns distúrbios. 
É a mesma técnica para se nascer, porque se você não cortar bem o cordão umbilical, ou deixá lo sem cortar, a criança pode se esvair em sangue.
 Então, a vida material depende desse cortar do cordão, como a vida espiritual, no seu equilíbrio, depende desse cortar do cordão fluídico. 

Mas o ser humano encara a vida como promessa e o desencarne como uma fatalidade. 
O desencarne material programado. aquele desencarne que é o cessar da prova, é visto no plano espiritual com muita alegria por aqueles que se encontram, no além.
 É com muita tristeza quando alguém parte por acidente, por invigilância ou por suicídio porque sabemos que aí a criatura vai esvaindo o seu fluido vital em grande sofrimento, não terá toda aquela reparação para se esgotar o fluido vital e ajuda: esta pessoa. então ela ficará colocada à própria sorte, porque se rebelou contra os desígnios divinos, se rebelou contra a dor que ela mesma programou para si. 

Porque, se nós sofremos, se nós choramos, se passamos por testes difíceis, se o desespero nos bate à porta da alma, tudo isso foi conquistado pela nossa vontade, com nossos esforços, com as nossas opções de   ida. em decorrência das nossas decisões tomadas em vidas pretéritas. 

Existem aquelas vidas em que, na própria carne, a pessoa já vai complicando o seu quadro cármico, com atitudes, com viciações, com imprevidência, com leviandade, com desonestidade, com indignidade, tudo isso são agravantes sérios para a criatura que já traz uma programação reencarnatória, dificuldades para serem superadas e tudo isso representará também agravantes seríssimos no plano espiritual para a pessoa que veio resgatar o que leva na sua bagagem, mais algumas contas para saldar. No geral do saldo ainda fica o devedor. 

Sabemos o quanto é difícil enfrentar o mundo com as suas lutas, tomar as decisões certas, nos momentos mais imprevistos. Nós estamos juntos a todos vocês, sentimos a dor de todos vocês. Compartilhamos desta dor e procuramos minorá las tanto quanto possível, mas respeitando sempre o canoa de cada urre, porque se nós não respeitarmos esse traçado cármico, nós estaremos impedindo as pessoas que amamos de crescer. 

Uma criança aprende a escrever com sua própria mão, ela não aprende a escrever com a mão da mãe ou a do pai. 
A mãe que faz os exercícios do filho não está ajudando o seu filho, ela tem que ajudar o filho a superar as suas dificuldades, ensiná lo. estar presente, ter aquela voz mansa, não aquela voz traumática e agressiva, não a voz punitiva, mas a voz apoio, para que o filho aprenda. sem traumas, adquira conhecimentos de forma agradável.
 Mas a criança tem que fazer por ela, tem que amealhar conhecimentos. tem que incorporar em seu cérebro as informações que obtém no curse que está realizando, e, no curso da vida, as experiências naturais de todo espírito em desenvolvimento. 

Por isto, fazer grandes dramas diante da morte só complica o quadro cármico daqueles que estão na terra e daqueles que partiram, porque a saudade desequilibrada, o amor desajustado, provoca sofrimentos enormes, mesmo para aqueles que já estão nas colônias, já estão em hospitais e enfermarias. 
Eles passaram por convulsões, espasmos violentíssimos, passam horas, dias era inconsciência, só recebendo aquelas emanações envenenadas da terra. 

Por isso, em relação àqueles que partiram de uma forma violenta, desajustada ou suicídio, não se deve pensar nas imagens negativas que eles deixaram. Deve se pensar nos instantes em que eles foram felizes, deve se pensar em momentos jubilosos. não nos instantes dolorosos, para que eles tenham força e se alimentem dessas energias lenitivas que são emitidas pelo pensamento. 

Abençoado aquele que sabe orar pelos que partiram, porque nós sabemos a terapia de apoio que representa. mesmo para os que estão muito desajustados no plano espiritual. 
Às vezes nos encontramos com eles nos corredores, radiosos, felizes e perguntamos 

  Porque você está tão feliz ? 

  Recebi hoje uma prece de uma pessoa amiga. E essa notícia me foi muito prazerosa. 

Ou então, quando alguém está dando uma aula, fazendo urra palestra ou recebendo uma terapia e chega aquela vibração boa, aí é projetado nos telões de prece  que nós chamarmos de telas de prece  em que é projetado o rosto da pessoa ali. Muitas vezes eles choram. 

  Porque que esta pessoa que eu não conheço está orando por mim ? Porque não estão orando por mim meus parentes. meus filhos, meus amigos? 

Naquele instante ele percebe, o ser que está recebendo a prece, que realmente a amizade não está ligada aos elos biológicos, amizade é o amor sublimado, na sua mais alta essência divina. 
Amizade é o sentimento mais puro que envolve a terra.
 Amor e paixão passam em várias experiência reencarnatórias, mas, a amizade são os companheiros de sempre, nas alegrias de sempre. 

* Bezerra de Menezes - Psicografia de Shyrlene Campos.


                                                                


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

UMA LEITURA PARA O CORAÇÃO





“Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. ]
Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos”.
O Espírito de Verdade. (Bordéus, 1861.)

O Evangelho Segundo o Espiritismo – capítulo VI – item 7.






Afastemos um pouco das reflexões mais densas e façamos uma pausa para meditação.

Dilata tua sensibilidade e lê com o sentimento as anotações a seguir. 

Depois escuta os recados do teu coração.






A Doutrina Espírita é a medicação recuperativa das nossas vidas. Sua “substância ativa” é o Evangelho. 
Sua “bula” é estritamente individual. Para cada um haverá uma dosagem e forma de aplicação.

O movimento espírita é a nossa enfermaria abençoada onde encontramo-nos internados na busca de nossa alta médica.

Tarefa e estudo, provas e oportunidades são terapêuticas necessárias na solução de nossas enfermidades.

Perante esse quadro de experiências da nossa trajetória de aprendizado, listemos algumas prescrições indispensáveis para a cura:






· Onde se reúnem doentes, torna-se dispensável realçar imperfeições e deslizes. 
Todos sabemos de nossa condição. Falemos de saúde e aproveitamento.

· Esqueçamos as vivências dolorosas e examinemos as conquistas. Indaguemos: em que melhorei? 
O que aprendi?

· Somos doentes graves, mas temos o melhor médico, Jesus.

· Perdoemos incondicionalmente o companheiro de enfermaria. 
Ele também é alguém em busca de si mesmo.

· Trazemos na intimidade todos os antídotos para nossas imperfeições. Resta-nos descobri-los.

· De fato, alguns doentes esquecem suas necessidades. O melhor a fazer para auxiliá-los é a oração.

· Alguns enfermos carecem de tratamentos específicos. 
Por não entendermos tais medidas, evitemos julgá-los.

· Uma única certeza: todos nós teremos alta médica e alcançaremos a saúde.

· As raras criaturas sadias foram chamadas a Postos Maiores. Cuidam de nós.

· Uma pergunta diária: que farei pela minha recuperação?

· Uma atitude diária: doses elevadas de preces e trabalho.

· O caminho seguro para fortalecimento e alegria: a amizade sincera, leal e fraterna.

· O que nunca devemos esquecer: antes repudiávamos a idéia de internação.
 Hoje desejamos tratar.

· Esqueçamos a noção de tempo e sejamos gratos pela oportunidade de uma vaga nessa benfazeja enfermaria.

· Nos momentos de crise, evitemos projetar decepções e revolta nos outros ou reclamar do ambiente que nos acolheu para refazimento e orientação. 
Crises são indícios oportunos para exames e diagnósticos mais apurados sobre nossas dores.

· Saber que estamos enfermos não basta. É preciso sentir. 
Nossa cura virá do coração.




Recordemos a frase confortadora do Espírito Verdade: Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos.

Agora vá e escuta os recados do teu coração e Deus te abençoe com paz íntima.





* Pelo espírito Ermane Dufaux - Wanderley de Oliveira. Livro: Escutando Sentimentos.


                                                        

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SOB OS AUSPÍCIOS CELESTES - MORATÓRIA ESPIRITUAL



A nossa jornada espiritual é, na grande maioria dos casos, bem parecida, apesar do livre arbítrio e dos possíveis caminhos a serem escolhidos, como nos falam as questões 121 e 122 do Livro dos Espíritos, corroborada através da parábola do filho pródigo, a retratar o filho mais novo, ávido por novas venturas, nem sempre saudáveis, e ao exercício dos vícios. 
Exatamente como nós na atualidade, ou em um passado recente.

O fato é que, depois de infinitos erros, inúmeras iniquidades e incontáveis inconsequências, alguém nos resgata dos porões da servidão e da prática do mal. 

Normalmente, tal papel socorrista cabe a algum amado conhecido, sob os auspícios dos céus. Merecedores? Não, certamente necessitados. Nos é concedido então uma moratória espiritual.
 Novamente, sob os auspícios da divindade. 
Sob um ponto de vista econômico, moratória é o alargamento do prazo de pagamento ou suspensão temporária de um débito, normalmente sem incidência de juros. 
É como se, ao nos vermos endividados por conta do cartão de crédito, a operadora nos atendesse ao pedido de suspensão da dívida por alguns anos, sem a incidência de juros!
 Certamente, um sonho para muitos...

É exatamente essa moratória que Deus nos concede quando estamos no “fundo do poço”, quando a lama das nossas dificuldades morais sufoca-nos e as nossas dificuldades tornam-se por demais acerbas, fardos mais pesados que a capacidade dos nossos ombros, Mateus 23:4. 

Nesse momento, o Mestre chama e nos diz: “Vinde a mim e eu vos aliviarei”, Mateus 11:28. A “moratória espiritual” nos é concedida.

Voltamos à “propriedade do Pai”, tal como o filho pródigo, e iniciamos os engajamentos no serviço do bem, ainda no plano espiritual. Cursos, estágios, aprendizados e muita mão na massa. 

A maior satisfação dos espíritos de luz é poder trabalhar. 
Infelizmente, esse ainda não é o nosso caso. Após os estudos e prática, ao concluirmos os preparativos da programação espiritual, eis que reencarnamos, é o fim da moratória. 
Hora de iniciarmos “pra valer” nas tarefas redentoras, reeducativas.

Chega o momento azado de mostrar “na prática” aquilo que “treinamos” durante o período de moratória nos céus. 

Qual é a surpresa em saber que, sob os auspícios do céu, o pagamento não se dá através da dor, e sim da prática do amor, por vezes, sofrido amor.
 Então, reencontramos adversários no lar para praticarmos a paciência; nos deparamos com a angústia, para aprendermos a confiar em Deus; vislumbramos necessitados de todas as matizes para a prática da caridade. Entretanto, “O espírito está pronto, mas a carne é fraca” Marcos 14:38, muito fácil praticar o bem em colônias espirituais, onde tudo conspira para o amor e o equilíbrio. 
Difícil tarefa é a de nos mantermos no bem quando as tentações e os convites menos inusitados nos são feitos.

Se espíritas, tomamos o conhecimento dessas verdades, assumimos as nossas dificuldades e nos colocamos a trabalhar o íntimo sob duas vertentes bastante antagônicas: Por obrigação ou por amor.

Naturalmente, o amor é o melhor dos cenários. Onde tudo flui naturalmente, o prazer, a sensibilidade, a verdadeira satisfação em atender o próximo através das diversas formas de assistência, material, moral ou espiritual.

 É a certeza de que o período de moratória foi válida, aceita, tirada de bons proveitos em um terreno fértil, Marcos 4:8. No entanto, existe ainda o infeliz “outro lado da moeda”. 
Onde a caridade se torna uma obrigação, um dever a ser cumprido à risca. 
Muita ação, pouco sentimento.

Então, as mais belas palavras, as mais ricas palestras soam internamente como “sino que tine”, Paulo, Coríntios 13:1. As mais consoladoras profecias e mensagens de fé sem amor ficam estéreis, se nada significam a quem as pronuncia, Paulo, Coríntios 13:2. 

A caridade material não nos toca as fibras do coração, não nos encantamos pela felicidade no próximo.
 O trabalho no amor perde o sentido. É como se seguíssemos um caminho por seguir, com um objetivo, sem uma meta.
 Não assumimos, mas a obrigação em trabalhar na seara se torna um estorvo à vida. 
Sob os auspícios celestes, eis que mais uma moratória espiritual se apresenta. 
Mais uma vez, por não trabalharmos o amor, o sentimento, necessitamos de mais auxílio, mais tempo, mais oportunidades.

A parte boa é que nessas idas e vindas, o amor se constrói, se fixa, e molda e se fortalece em nós. 

Até que, após os diversos erros, inúmeras inconsequências e algumas moratórias, nos conscientizamos do amar por amar. 
Revelemos em nós as virtudes, em forma de trabalho e assistência, por puro prazer. 
Depois de muito sofrer, a felicidade nos será companheira eterna, sob os auspícios dos céus.

* Fonte: Correio Espírita.

                                                                  

sábado, 6 de dezembro de 2014

AUTOFAGIA




Maledicência é o ato de falar mal das pessoas. 
Definição bem amena para um dos maiores flagelos da Humanidade. 
É mais terrível que uma agressão física. Muito mais que o corpo, fere a dignidade humana, conspurca reputações, destrói existências.

Arma perigosa, está ao alcance de qualquer pessoa, em qualquer idade, e é muito fácil usá-la: basta ter um pouco de maldade no coração. 

Tribunal corrupto, nele o réu está, invariavelmente, ausente. 
É acusado, julgado e condenado, sem direito de defesa, sem contestação, sem misericórdia.

Ninguém está livre dela, nem mesmo os que se destacam na vida social pela sua capacidade de realização, no setor de suas atividades. Estes, ao contrário, são os mais visados. 

Nada mais gratificante para o maledicente do que mostrar que “fulano não é tão bom como se pensa”.

Não se dá conta aquele que se compraz em criticar a vida alheia, que a maledicência é um ato de autofagia (condição do animal que se nutre da própria substância, que come o próprio corpo).

 O maledicente pratica a autofagia moral. 
A má palavra, o comentário desairoso contra alguém gera, no autor, um clima de desajuste íntimo, em que ele perde força psíquica e se autodestrói moralmente, envenenando-se com a própria maldade. 
Por isso, pessoas que se comprazem nesse tipo de comportamento são sempre inquietas e infelizes.

E há os estudos de Psicologia que oferecem uma dimensão bem maior ao ensinamento evangélico. 

Admitem hoje os psicólogos que tendemos a identificar com facilidade nos outros o que existe em abundância em nós. O mal que vemos em outrem é algo do mal que mora em nosso coração. 
Por isso, as pessoas virtuosas, de sentimentos nobres, são incapazes de enxergar maldade no próximo.

É preciso, portanto, treinar a capacidade de enxergar o que as pessoas têm de bom, para que o Bem cresça em nós. O primeiro passo — difícil, mas indispensável — é eliminar a maledicência. 

Um recurso valioso para isso é usar os três crivos, segundo velha lenda de origem desconhecida, que vários escritores atribuem a Sócrates, lembrada pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier.




Certa feita, um homem esbaforido achegou-se ao grande filósofo e sussurrou-lhe aos ouvidos:
 – Escuta, Sócrates... Na condição de teu amigo, tenho alguma coisa de muito grave para dizer-te, em particular...

– Espera!... – ajuntou o sábio, prudente. — Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

– Três crivos? – perguntou o visitante espantado.

– Sim, meu caro, três crivos. Observemos se a tua confidência passou por eles. 

O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza quanto àquilo que me pretendes comunicar?

– Bem – ponderou o interlocutor –, assegurar, mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então...

– Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. 

Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

– Isso não... Muito pelo contrário...

– Ah! – tornou o sábio — então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

– Útil?!... – aduziu o visitante ainda mais agitado. — Útil não é...

– Bem – rematou o filósofo num sorriso –, se o que me tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem qualquer edificação para nós.

Irmão X termina a mensagem, comentando:

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência.

 Se pudermos aplicá-la, creio que teremos ganhado tempo e recursos preciosos para rearticular o serviço, refazer a paz, realizar o melhor e seguir para frente.

A fórmula é, realmente, muito boa. 

Usá-la é favorecer nossa própria edificação. Jesus nos está convocando à gloriosa construção do Reino dos Céus em nossos corações. 
Não percamos tempo com as excrescências da Terra.

* Richard Simonetti.


                                                         

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

TERAPIA DO EVANGELHO




Amigos,

lícitos é que procuremos a cura de nossos males físicos, empregando os recursos terapêuticos que a bondade de Deus coloca ao nosso dispor através dos profissionais da saúde.

 Não olvidemos que o socorro dos Mentores Espirituais, em se tratando da saúde humana, nem sempre se faz por meio de recursos estranhos à metodologia médica, principalmente porque seus representantes, quando conscientes da responsabilidade que assumiram perante o Médico das Almas, constituem-se em instrumentos da Vontade Divina junto aos necessitados da jornada terrena.

Todavia, é preciso considerar a responsabilidade do doente ante as causas desencadeadoras do mal que o infelicita. 

Originando-se todas no campo moral, o principal agente terapêutico será unicamente a aplicação em si do remédio salvador, que outro não é senão o Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo.

Indubitavelmente, nas atitudes de egoísmo, de orgulho e de vaidade extremados, cultivados por anos e anos nas diversas etapas reeencarnatórias, encontraremos as causas dos desajustes vibratórios expressos na estrutura do perispírito, a ofertarem aos desafetos e comparsas do passado as condições de afinização vibratório-magnética que podem, de per si, não só desencadear os processos patológicos como também agravar os já existentes.

Quando a criatura alia aos recursos terapêuticos da medicina humana __ quer os de natureza homeopática ou alopática, quer os da chamada mediciana alternativa __ o esforço constante em buscar o autoconhecimento para melhor reeducar-se nas lições da Boa-Nova, tais recursos terão sua ação potencializada e seus efeitos sobre a saúde serão mais sentidos.

Ao reeducar-se à luz das lições imorredouras do Médico das Almas, ao aceitar as dificuldades da vida como um reflexo dos desmandos do passado, encarando-as como oportunidades preciosas para o progresso rumo à Luz Maior, a criatura se furtará a muitos males evitando agravamentos do seu estado físico.

Por mais eficazes possam ser os recursos da tecnologia da saúde colocados à nossa disposição, é preciso também considerar o mérito de cada um perante a Medicina Divina, bem como o papel regularizador das vibrações perispirituais desajustadas pelas infrações às Leis Divinas, manifestadas na doença física.

 Esta, muitas vezes, é o agente re harmonizador do ser com a própria consciência e neste caso, os recursos tecnológicos representarão apenas a Bondade Celestial agindo para fornecer à criatura as condições materiais que lhe permitam expiar seus débitos morais até o fim e, desse modo, libertar-se não apenas do mal físico mas, sobretudo, do mal vibratório que gerou o primeiro em nível perispiritual.

Em todas as circunstâncias difíceis de nossa saúde,amigos, recorramos ao mestre, aplicando o seu Evangelho como recurso terapêutico por excelência.

Supliquemos-lhe forças para tudo suportar com mansidão e paciência. 

Peçamos-lhe a coragem com que lutemos contra nossas más tendências e sigamos seus exemplos.
Muita paz!
Dias da Cruz


*Mensagem Psicografada pela médium Tânia de Souza Lopes , extraída do Reformador de Maio/1998.


                                                                   

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

CLASSIFICAÇÃO DOS CASAMENTOS





Acidentais, Provacionais, Sacrificiais, Afins (afinidade superior) e  Transcendentes.


Acidentais-Encontro de almas inferiorizadas, por efeito de atração momentânea, sem qualquer ascendente espiritual.



Provacionais-Reencontro de almas, para reajustes necessários à evolução de ambos.



Sacrificiais: Reencontro de alma iluminada com alma inferiorizada, com o objetivo de redimi-la.



Afins: Reencontro de corações amigos, para consolidação de afetos.



Transcendentes: Almas engrandecidas no Bem e que se buscam para realizações imortais.


Evidentemente, o matrimônio, sagrado em suas origens, tem reunido no mesmo teto os mais variados tipos evolutivos, o que vem demonstrar que a união, na Terra, funciona, às vezes como meio de consolidação de laços de pura afinidade espiritual, e, noutros casos, em sua maioria, como instrumento de reajuste.


Em sua maioria, porém, os lares são cadinhos purificadores, onde, sob o calor de rudes provas e dolorosos testemunhos, Espíritos frágeis caminham, vagarosamente, na direção do Mais Alto.


Nos casamentos acidentais teremos aquelas pessoas que, defrontando-se um dia, se veem, se conhecem, se aproximam, surgindo, dai, o enlace acidental, sem qualquer ascendente espiritual.


Funcionou, apenas, o livre arbítrio, uma vez que por ele construímos cotidianamente o nosso destino.


Num mundo como o nosso tais casamentos são comuns.


Nem laços de simpatia, nem de desagrado.


Simplesmente almas que se encontraram, na confluência do caminho, e que, perante as leis humanas, uniram apenas os corpos.


Esses casamentos podem determinar o inicio de futuros encontros, noutras reencarnações.


Quanto aos provacionais, em que duas almas se reencontram em processo de reajustamento, necessário ao crescimento espiritual, esses são os mais frequentes.


A maioria dos casamentos obedece, sem nenhuma dúvida, a esse alvo.


Por isso existem tantos lares onde reina a desarmonia, onde impera a desconfiança, onde os conflitos morais se transformam, tantas vezes, em dolorosas tragédias.


Deus uniu-os, através das leis do Mundo, a fim de que, pelo convívio diário, a Lei Maior, da fraternidade, fosse por eles exercida nas lutas comuns.


A compreensão evangélica, a boa vontade, a tolerância e a humildade são virtudes que funcionam à maneira de suaves amortecedores.


O Espiritismo, pela soma de conhecimentos que espalha, tem sido meio eficiente para que muitos lares, construídos na base da provação, se reajustem e se consolidem, dando, assim, os primeiros passos na direção do Infinito Bem.


O Espírita esclarecido sabe que somente ele pagará as suas próprias dívidas.


Nenhum amigo espiritual modificará o curso das leis divinas, embora lhe seja possível estender os braços generosos aos que se curvam ante o peso de duras provas, entre as quatro silenciosas paredes de um lar.


O espírita esclarecido, homem ou mulher, aprende a renunciar, a benefício de sua paz e do seu reajuste.


E o faz, ainda, porque tem a inabalável certeza de que, se fugir hoje ao resgate, voltará, amanhã, na companhia daquele ou daquela de quem procura, agora, afastar-se.


A humildade, especialmente, tem um poder extraordinário de harmonização dos lares, convertendo-os, dentro da relatividade que assinala todas as manifestações da vida humana, em legítimos santuários onde o destino dos filhos possa plasmar-se nas exemplificações edificantes.

 

Os casamentos sacrificiais:


Esses reúnem almas possuidoras de virtude e sentimentos opostos.


É uma alma esclarecida, ou iluminada, que se propõe ajudar a que se atrasou na jornada ascensional.


Como a própria palavra indica, é casamento de sacrifício, para um dos cônjuges.

 

Não há regra para isso. Temos visto senhoras delicadíssimas, ternas e virtuosas, que se casam com homens ásperos e grosseiros, de sentimentos abjetos, do mesmo modo que existem homens, que são verdadeiras joias de bondade e compreensão, consorciados com mulheres de sentimentos inferiorizados.


Quem ama não pode ser feliz se deixou na retaguarda, torturado e sofrendo, o objeto de sua afeição.


Volta, então, e, na qualidade de esposo ou esposa, recebe o viajor retardado, a fim de, com o seu carinho e com a sua luz, estimular-lhe a caminhada.


É o vanguardeiro, compassivo, que renuncia aos júbilos cabíveis ao vencedor, e retorna à retaguarda de sofrimento para ajudar e servir.


O casamento sacrificial é em resumo, aquele em que um dos cônjuges  se caracteriza pela elevação espiritual, e o outro pela condição evolutiva deficitária. O mais elevado concorda sempre em amparar o desajustado.


Assim sendo, a mulher ou o homem que escolhe companhia menos elevada deve (levar a cruz ao calvário), como se diz geralmente, porque, sem dúvida, se comprometeu na Espiritualidade a ser o cirineu de todas as horas.


O recuo, no caso, seria deserção a compromisso assumido.

 

Mais uma vez se evidencia o valor do Evangelho nos lares, como em toda parte, funcionando à maneira de estimulante da harmonia e construtor do entendimento.

 

Os casamentos denominados afins, no sentido superior, são os que reúnem almas esclarecidas e que muito se amam.

 

São espíritos que, pelo matrimônio, no doce reduto do lar consolidam velhos laços de afeição.


Os casamentos transcendentes.


São constituídos por almas engrandecidas no amor fraterno e que se reencontram, no plano físico, para as grandes realizações de interesse geral.

 
A vida desses casais encerra uma finalidade superior.


O ideal do Bem lhes enche as horas e os minutos.



Todos nós passamos, ou passaremos ainda, segundo for o caso, por toda essa sequência de casamentos: acidentais, provacionais e sacrificiais, até alcançarmos no futuro, sob o sol de um novo dia, a condição de construirmos um lar terreno na base do idealismo transcendental ou da afinidade superior.


Enquanto não atingirmos tal situação, o Senhor, pelo seu Evangelho, irá enchendo de paz a nossa vida. E o espiritismo, abençoada Doutrina, repletará os nossos dias das mais sacrossantas esperanças…

 
*ESTUDANDO A MEDIUNIDADE – MARTINS PERALVA.