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sábado, 23 de julho de 2016

ALZHEIMER ESPIRITUAL


                                                                    
O papa Francisco tem se notabilizado pela coragem e firmeza em seus pronunciamentos. 


A ele tem cabido, como líder de uma das maiores instituições religiosas do planeta, a dura missão de corrigir o rumo do Catolicismo diante dos desmandos e desvirtuamentos perpetrados pelos seus prelados ao longo das últimas décadas e do distanciamento dos ensinamentos de Jesus Cristo.

O seu pontificado tem sido notável por apontar com clareza meridiana as fraturas morais praticadas pela sua instituição num autêntico processo catártico. Recentemente, o Papa Francisco apresentou, num encontro religioso comemorativo do Natal, todos os males que, a seu ver, estavam contaminando a religião Católica.

Não pretendemos nos deter nos pormenores da sua alocução, pois cada religião tem os seus problemas e deficiências, mas nos ater a um aspecto que, em nosso entendimento, tem alcance ainda maior do que o por ele proposto. Ou seja, trata-se do “Alzheimer espiritual” como ele próprio denominou. Explicando melhor, o Papa referiu-se a essa metáfora como resultado do esquecimento por parte dos sofredores dos seus respectivos encontros com Deus. Em nossa visão, a metáfora aí empregada comporta outros raciocínios e conjecturas que, de certa maneira, envolvem toda a humanidade.

Não há como negar que temos sido um tanto descuidados, para usar um eufemismo, com o elevado conteúdo proveniente da mensagem do Cristo de Deus. Se considerarmos que a encarnação em si já é uma dádiva extraordinária concedida pelo mais alto, então a maioria de nós está em débito. 

Apenas por essa razão, afinal, já deveríamos agradecer todos os dias de nossa vida.

Por outro lado, o nosso Alzheimer espiritual não nos permite enxergar que tudo que vem do Cristo é simples e objetivo. No seu evangelho encontramos, a propósito, os salutares remédios para todos os males da humanidade. Mas mesmo assim continuamos em nossa sanha autodestrutiva e inconsequente. Simplesmente, não conseguimos ainda nos amoldar aos seus ensinamentos e recomendações.

Uma das mais expressivas demonstrações do nosso Alzheimer espiritual decorre do fato de que, no geral, vivemos manietados a uma vida consumista onde o ter é um imperativo. Em consequência, pouco ou nada desenvolvemos no que concerne ao ser. Em razão dessa dificuldade de interpretação, acorremos aos consultórios de psicólogos, terapeutas, orientadores e quejandos, buscando soluções para toda a sorte de problemas existenciais quando a cura está, muitas vezes, em nós mesmos. 

Ou seja, em criarmos vontade e disposição de nos autoconhecermos como, de fato, somos. Com efeito, quem costuma olhar para o interior da sua alma sabe perfeitamente o que precisa melhorar.

O nosso Alzheimer espiritual nos impede de aceitar a realidade de que os sofrimentos, as adversidades e os contratempos são elementos normais do caminho redentor, não a ira de Deus sobre nós. O nosso Alzheimer espiritual nos leva a desejar aquilo que já contribuiu para a nossa queda em outros tempos. A pura e humilde aceitação da pobreza como condição reabilitadora, por exemplo, poderia contribuir para a recuperação espiritual de muitos que invadem as propriedades privadas no século presente tentando obter à força o que não lhes pertence.

O Alzheimer espiritual pode nos levar a uma situação provisória de sustentação do poder e, por extensão, ao perigo de sucumbirmos ao seu fascínio. Nesse sentido, não chega a ser surpreendente observarmos empresários e executivos de grandes organizações presos por atos de corrupção, assim como certos políticos que assumiram a responsabilidade de defender os interesses dos eleitores que os elegeram.

 O Alzheimer espiritual afeta todos aqueles que comercializam dons mediúnicos que gratuitamente receberam - como vemos muitos hoje em dia -, os quais deverão prestar contas dos seus atos mais dia menos dia à espiritualidade. O Alzheimer espiritual também abarca aqueles que assumiram o compromisso/missão de realizar tarefas em benefício da humanidade, mas que ao longo da caminhada terrena se perderam.

O Alzheimer espiritual afeta igualmente os que negligenciam o desenvolvimento de sua própria espiritualidade, isto é, aqueles que arrumam tempo para tudo, exceto para a meditação, a oração, a leitura edificante, ou para o encontro com o Deus interior. Como bem pondera o Espírito Joanna de Ângelis, “... a existência física é uma experiência de iluminação e não uma pousada para o prazer infinito”.

O Alzheimer espiritual domina aqueles que se enxergam como o centro do mundo e que desrespeitam e maltratam os seus semelhantes.

O Alzheimer espiritual atinge os que ainda são incapazes de sequer cogitar se há vida após a morte ou que tem medo de encará-la. O Alzheimer espiritual acomete os que vivem uma existência rala de valores universais, sem propósitos superiores e práticas voltadas ao bem.

Em suma, o Alzheimer espiritual perpassa basicamente aquela porção da humanidade que ainda não entendeu o significado da vida e que não percebeu que Jesus é o caminho e a verdade a ser assimilada.


       *Anselmo Ferreira Vasconcelos.




quinta-feira, 21 de julho de 2016

CONVERSAS FAMILIARES DE ALÉM TÚMULO

       


Segundo o Courrier des États-Unis, vários jornais relataram o fato que a seguir apresentamos, e que nos pareceu fornecer matéria para um estudo interessante:
     “Diz o Courrier des États-Unis que uma família alemã de Baltimore acaba de emocionar-se vivamente com um caso singular de morte aparente. A Sra. Schwabenhaus, há longo tempo enferma, parecia ter exalado o derradeiro suspiro na noite de segunda para terça-feira. 
As pessoas que dela cuidavam puderam observar todos os sintomas da morte: o corpo estava gelado e seus membros tornaram-se rígidos. 
Após ter prestado ao cadáver os últimos deveres, e quando tudo na câmara mortuária estava pronto para o enterro, os assistentes foram repousar. Esgotado de fadiga, o Sr. Schwabenhaus em breve os acompanhou. Estava mergulhado num sono agitado quando, cerca de seis horas da manhã, a voz da esposa feriu-lhe o ouvido. A princípio julgou-se vítima de um sonho; mas o seu nome, repetido várias vezes, não mais lhe deixou qualquer dúvida, precipitando-se de imediato para o quarto da esposa. 
Aquela que era tida por morta estava sentada na cama, parecendo fruir de todas as faculdades e mais forte do que nunca, desde o início da doença.
    “A Sra. Schwabenhaus pediu água e depois desejou tomar chá e vinho. Rogou ao marido que fizesse adormecer a criança que chorava num quarto vizinho. Mas ele estava muito emocionado para isso e correu a despertar as demais pessoas de casa. Sorridente, a doente acolheu os amigos e domésticos que, trêmulos, aproximaram-se de seu leito. Não parecia surpreendida com o aparato funerário que lhe feria o olhar. “Sei que me acreditáveis morta, disse; entretanto, estava apenas adormecida. 
Durante esse tempo minha alma transportou-se para as regiões celestes; um anjo veio buscar-me e em poucos instantes transpusemos o espaço. O anjo que me conduzia era a filhinha que perdemos o ano passado... Oh! Em breve irei reunir-me a ela... Agora, que experimentei as alegrias do Céu, não mais queria viver na Terra. 
Pedi ao anjo para, uma vez mais, vir abraçar meu marido e meus filhos; mas logo retornará para buscar-me.
    “Às oito horas, após se haver despedido com ternura do marido, dos filhos e de uma multidão de pessoas que a rodeavam, dessa vez a Sra. Schwabenhaus expirou realmente, conforme foi constatado pelos médicos, de forma a não deixar subsistir nenhuma dúvida a esse respeito. “Esta cena impressionou profundamente os habitantes de Baltimore.”
    Havendo sido evocado no dia 27 de abril passado, numa sessão da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o Espírito da Sra. Schwabenhaus manteve a seguinte conversa:

1. Com vistas à nossa instrução, desejaríamos fazer algumas perguntas relacionadas com a vossa morte; consentiríeis em responder-lhas? Resp. – Como não, logo agora que começo a vislumbrar as verdades eternas, e sabedora da necessidade que igualmente sentis de também as conhecer?
2. Lembrais da circunstância particular que precedeu vossa morte?
Resp. – Sim; foi o momento mais feliz da minha existência na Terra.
3. Durante vossa morte aparente, ouvíeis o que se passava à volta e percebíeis os preparativos do funeral?
Resp. – Minha alma estava muita preocupada com a felicidade que se avizinhava.
Observação – Sabe-se, em geral, que os letárgicos vêem e ouvem o que se passa à volta deles, conservando a lembrança ao despertar. O fato a que nos referimos oferece a particularidade de ser o sono letárgico acompanhado de êxtase, circunstância que explica por que foi desviada a atenção da paciente.
4. Tínheis a consciência de não estar morta?
Resp. – Sim; mas isso me era ainda mais penoso.
5. Poderíeis dizer a diferença que fazeis entre o sono natural e o letárgico?
Resp. – O sono natural é o repouso do corpo; o letárgico, a exaltação da alma.
6. Sofríeis durante a letargia?
Resp. – Não.
7. Como se operou vosso retorno à vida?
Resp. – Deus permitiu-me voltar para consolar os corações aflitos que me rodeavam.
8. Desejaríamos uma explicação mais material.
Resp. – O que chamais de perispírito ainda animava o meu invólucro terrestre.
9. Como foi possível não vos terdes surpreendido à vista dos preparativos que faziam para o enterro?
Resp. – Eu sabia que devia morrer; tudo aquilo pouco me importava, desde que havia entrevisto a felicidade dos eleitos.
10. Recobrando a consciência, ficastes satisfeita de retornar à vida?
Resp. – Sim, para consolar.
11. Onde estivestes durante o sono letárgico?
Resp. – Não posso descrever toda a felicidade que experimentava: a linguagem humana é incapaz de exprimir essas coisas.
12. Ainda vos sentíeis na Terra ou no espaço?
Resp. – Nos espaços.
13. Dissestes, quando voltastes a vós, que a filhinha que havíeis perdido no ano anterior vos tinha vindo buscar. É verdade?
Resp. – Sim; é um Espírito puro.
Observação – Nas respostas dessa mãe, tudo anuncia tratar-se de um Espírito elevado; nada há, pois, de espantoso que um Espírito mais elevado ainda se tivesse unido ao seu por simpatia. Entretanto, não devemos tomar ao pé da letra a qualificação de Espírito puro, que por vezes os Espíritos se dão entre si. Por essa expressão devemos entender os Espíritos de uma ordem mais elevada que, achando-se completamente desmaterializados e purificados, não mais estão sujeitos à reencarnação: são os anjos que desfrutam a vida eterna. Ora, aqueles que não atingiram um grau suficiente não compreendem ainda esse estado supremo; podem, pois, empregar o termo Espírito puro para designar uma superioridade relativa, mas não absoluta. Disso temos numerosos exemplos, querendo parecer-nos que a Sra. Schwabenhaus encontrasse neste caso. 
Algumas vezes os Espíritos zombeteiros também se atribuem a qualidade de Espíritos puros, a fim de inspirarem mais confiança àqueles a quem desejam enganar, e que não têm suficiente perspicácia para os julgarem por sua linguagem, pela qual sempre se traem em razão de sua inferioridade.
14. Que idade tinha essa criança quando morreu?
Resp. – Sete anos.
15. Como a reconhecestes?
Resp. – Os Espíritos superiores se reconhecem mais depressa.
16. Vós a reconhecestes sob uma forma qualquer?
Resp. – Somente a vi como Espírito.
17. O que ela vos dizia?
Resp. – “Vem; segue-me em direção ao Eterno.”
18. Vistes outros Espíritos, além do de vossa filha?
Resp. – Vi uma porção de outros Espíritos, mas a voz de minha filha e a felicidade que pressentia eram minhas únicas preocupações.
19. Por ocasião de vosso retorno à vida, dissestes que em breve iríeis reencontrar a filha; tínheis, pois, consciência de vossa morte próxima?
Resp. – Para mim era uma esperança feliz.
20. Como o sabíeis?
Resp. – Quem não sabe que é preciso morrer? Minha doença mo dizia bem.
21. Qual era a causa de vossa enfermidade?
Resp. – Os desgostos.
22. Que idade tínheis?
Resp. – Quarenta e oito anos.
23. Deixando a vida definitivamente, tivestes de imediato consciência clara e lúcida da nova situação?
Resp. – Tive-a no momento da letargia.
24. Experimentastes a perturbação que acompanha ordinariamente o retorno à vida espírita?
Resp. – Não; estava deslumbrada, mas não perturbada.
Observação – Sabe-se que a perturbação que se segue à morte é tanto menor e menos duradoura quanto mais se depurou o Espírito durante a vida. O êxtase que precedeu a morte dessa mulher era, aliás, um primeiro desprendimento da alma de seus laços terrenos.
25. Desde que estais morta já revistes vossa filha?
Resp. – Freqüentemente estou com ela.
26. A ela estais reunida por toda a eternidade?
Resp. – Não. Sei, porém, que depois de minhas últimas encarnações estarei no paraíso, onde habitam os Espíritos puros.
27. Então vossas provas não terminaram?
Resp. – Não, mas, doravante, serão mais felizes. Não me deixam senão esperar e a esperança já é quase a felicidade.
28. Vossa filha tinha vivido em outros corpos antes daquele pelo qual foi vossa filha?
Resp. – Sim; em muitos outros.
29. Sob que forma vos encontrais entre nós?
Resp. – Sob minha derradeira forma de mulher.
30. Percebei-nos tão distintamente como o faríeis quando viva?
Resp. – Sim.
31. Desde que estais aqui sob a forma que tínheis na Terra, é pelos olhos que nos vedes?
Resp. – Claro que não, o Espírito não tem olhos.
Encontro-me sob minha última forma tão-somente para satisfazer às leis que regem os Espíritos, quando evocados e obrigados a retomar aquilo a que chamais perispírito.
32. Podeis ler os nossos pensamentos?
Resp. – Sim, posso; lerei caso eles sejam bons.
Agradecemos as explicações que houvestes por bem nos dar; pela sabedoria das vossas respostas reconhecemos que sois um
Espírito elevado e esperamos que possais fruir a felicidade que mereceis.
Resp. – Sinto-me feliz em contribuir para vossa obra;
morrer é uma alegria, quando podemos auxiliar o progresso, como o faço agora.

*Revista Espírita. Setembro de 1858. Allan Kardec.




terça-feira, 12 de julho de 2016

E O BRASIL É MESMO A PÁTRIA DO EVANGELHO?





Um dia desses fui a uma casa espírita assistir à reunião pública. Um homem de modos elegantes e postura professoral assumiu a tribuna e iniciou seu discurso com a pergunta título deste artigo. Acomodei-me melhor e agucei os ouvidos e os sentidos para ouvir o que tinha a nos dizer. 
Ao meu lado muitos irmãos e irmãs. Acredito que grande parte deles e delas ali estavam de passagem, tentando um contato “promissor” com a doutrina espírita, como quem busca aqui e acolá um nicho, um enredo, um lugar para ficar. Já sou antigo no Espiritismo. Já nasci cultuando os fundamentos dessa doutrina iluminada por mentes conscientes que a postularam. Ao meu lado, contudo, estava um senhor de tez morena e olhar circunspecto. Parecia vir de longe, das estradas empoeiradas da vida e, de repente, uma porta se abriu: a porta de um centro espírita!

 O homem da tribuna iniciou seu discurso em tom de sábio. Falaria sobre o Brasil. 

“Brasil... Ah! Brasil...” Foi assim que deu as primeiras notas da sua melodia composta por acordes de uma nota só. E derramou sobre nós uma série de incongruências e até chamou Humberto de Campos e Chico Xavier de visionários e distantes da realidade nacional. “O Brasil é um pobre peregrino dentre nações gigantescas e ricas!” – disse o anunciador de tristezas, apagador de lampiões. 
Ah! que vontade de sair dali e entrar em uma biblioteca e ler Humberto de Campos através do nosso querido Chico Xavier. Quem de nós está em condições de avaliar tais obras?

 O homem ao meu lado mexeu-se de um lado para o outro e sussurrou-me: “Mas eu amo minha pátria. Ela é rica em reservas!” E foi aí que me fiz porta-voz do livro Brasil Coração do Mundo e Pátria do Evangelho e lhe disse: “As reservas brasileiras não se circunscrevem ao mundo de aço do progresso material, mas se estendem infinitamente ao mundo do ouro dos corações, onde o país escreverá a sua epopeia de realizações morais, em favor do mundo”. O homem me olhou e eu concluí: “Escreverá do verbo: vai escrever e para tal se prepara. O Brasil é menino de quinhentos e poucos anos e querem que ele seja adulto, senhor das suas ações, enquanto ainda se prepara para ela”.

 Um dia, ouvindo outro orador, apóstolo deste país, anotei sua fala: “Analisemos: trezentos e vinte e dois anos de colônia, sessenta e sete de monarquia e cento e vinte e sete de república com ditaduras e impeachment. Foi e está sendo um caminho árduo. Sabendo-se ainda que o período colonial foi o de intensa exploração das nossas jazidas. E ainda querem uma nação amadurecida? 

Ora, viajemos pelo país e encontraremos progressos sobre progressos, realizados de formas muitas vezes hercúleas e à custa de suor e lágrimas. As cátedras nem sempre oferecem o comboio que sai para ver e sentir o lado de fora das teorias basais”. E aquele orador do momento, sem dúvida, era um teórico. 

 O homem ao lado me cutucou e pediu: “Fale mais”. Então continuei, repetindo Humberto de Campos: “Qual o lugar da Terra que não é santo? Em todas as partes do mundo por mais recônditas que sejam, pairam as bênçãos de Deus, convertida na luz e no pão de todas as criaturas”. – O que me diz, senhor? – perguntou-me meu companheiro de jornada. Apenas repeti palavras de Jesus quando esteve no plano físico por volta de 1375 e buscava nicho para o Seu Evangelho – falei-lhe. Fechei meus olhos e relembrei o texto do livro que fala sobre o Brasil e psicografado por Humberto de Campos: – “Helil – perguntou Jesus –, onde fica, nestas terras novas, o recanto planetário, do qual se enxerga, no infinito, o símbolo da redenção humana?” – “Este lugar de doces encantos, Mestre, de onde se veem, no mundo, as homenagens dos céus aos vossos martírios na Terra, fica mais para o Sul.

” E eles estavam no continente Americano.

 Agora chegamos ao ponto-chave e que infelizmente aquele pregador se omitiu em sua eloquente conversa. Vejam a descrição de Humberto de Campos: “Mãos erguidas para o alto, como se invocasse a bênção do seu Pai para todos os elementos daquele solo extraordinário e opulento, exclama então Jesus: – Para essa terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os Povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal. Sob estes céus serão entoados os hosanas mais ternos à misericórdia do Pai Celestial”. Noutro dia, num grupo de estudos, lemos em conjunto esta citação. As lágrimas de todos nós se fizeram abundantes. – É o Mestre dizendo! – falou uma senhora presente. – Sim, foi Jesus quem disse e o que os homens estão dizendo no hoje, principalmente certos espíritas distanciados da Gerência Divina de Jesus? Que o Brasil vai perder esta distinção por causa dos seus habitantes. 

Mas quem determina reencarnações é o mundo espiritual. Ninguém renasceu aqui vindo numa nave espacial ou de paraquedas. Foram reencarnações planejadas para que aqui aportassem e realizassem o bem em si, ajudando a pátria. Mas ela não depende apenas dos homens. Há um projeto divino, há uma programação.

 – “Ismael, manda o meu coração que doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Recebe-a nos teus braços de trabalhador devotado da minha seara, como a recebi no coração, obedecendo a sagradas inspirações do Nosso Pai.” É, o grande pregador se esqueceu de dizer que temos um mentor espiritual que recebeu de Jesus a determinação acima e ainda a bandeira branca com as insígnias: Deus, Cristo e Caridade. Caridade esta que não fazemos com a pátria quando a julgamos incapaz de produzir bons elementos que a conduzam. E há os que dela se ausentam sob o pretexto de buscar maiores ganhos e benefícios externos. Mas, em qual lugar do mundo de hoje há que não esteja vivendo a grande deflagração motivada pela mudança do ciclo planetário?

 O indivíduo brasileiro foi forjado pela interação de europeus, africanos e ameríndios. Foram as interações singulares e multifacetadas entre esses indivíduos que guiaram nossa história e deram à nossa população seu caráter heterogêneo e diversificado – dizem nossos sociólogos. E lá vem o poeta anônimo e diz: “Esta gente, cujo rosto às vezes luminoso e outras vezes tosco, ora me lembra escravos ora me lembra reis”. Estamos fazendo coro com a poesia? Ou somos martelos e bigornas a macerar enquanto deveríamos forjar? De mim digo que o indivíduo brasileiro é aquele que pisa num solo fértil, que olha para um céu que tem o Cruzeiro do Sul, que olha para trás e vê que sua história começou há pouco mais de 500 anos, que inda não se constituiu como um ser político, capaz de exercer com propriedade seu direito na escolha de processos administrativos ideais. É um indivíduo quase sempre passional, herdeiro de uma cultura colonialista que lhe forjou caracteres de submissão e que agora tenta se libertar, mas, ainda sem um roteiro seguro. 

É em síntese um indivíduo pronto a se constituir como elemento principal no contexto social, entendendo que, através dele, tudo se modifica para o bem ou para o mal. 
Inicia assim seu processo de libertação dentro de uma pátria que ainda não sente que é sua.

  *Guaraci de Lima Silveira.


                                                       


                                                                          

sábado, 9 de julho de 2016

BORBOLETE-SE




“Rudolf Steiner, pai da Antroposofia, disse que: as borboletas são flores que se desprenderam da terra…
E que as flores são borboletas que a terra apreendeu…
Seja como for, se as flores marcam a primavera, as borboletas são seu símbolo maior.
São quatro fases da mesma vida: ovo, lagarta, crisálida e borboleta.
Enquanto ovo, é princípio vivo, puro.
Representa a potencialidade do ser, guardada dentro de um invólucro de heranças parentais.
É fundamental para desenvolver a solidez das bases estruturais do indivíduo.
Mas num determinado momento, torna-se necessário romper com essa capa de proteção, para caminhar sobre as próprias pernas.
A lagarta tem o aprendizado da terra, do rastejar, das coisas que se processam lentamente.
Simboliza os cuidados com o mundo físico, com os aspectos materiais que compõem a existência cotidiana.
Pode ser o lado pesado da vida.
A crisálida é o encapsular para gestar.
É como se retornasse ao estágio do ovo, mas só que por escolha pessoal.
É criar um casulo para si mesmo, como forma de conectar-se com seus sentimentos, sua interioridade e seus próprios desejos.
E, finalmente, as asas libertam a borboleta!  Mas, para se chegar à borboleta, é preciso superar o conforto e a comodidade do “já conhecido”…
É preciso deixar morrer o velho e partir ao encontro das possibilidades em aberto, sem certezas, sem garantias.
A borboleta é a lição viva de que tudo é passageiro.
Assim também somos nós…
Uns vivem para sempre no ovo…
Outros jamais passam de lagarta…
E tem gente que vive gestando um sonho, um ideal, mas sem nada realizar…
Ainda existem aqueles que, com esforço, se libertam, ganham asas e voam leves!  Pousam aqui e ali, no colorido das flores, e só de existir fazem a vida mais bela!
Identifique em que fase você está e observe como fazer para processar a sua metamorfose.
Viver é cumprir fase por fase.
Desapegar-se do antigo e entregar-se ao novo até ser capaz de voar.
Desperte e tente uma nova forma! Deixe acontecer em você esse misterioso processo de se abrir para florescer! Deixe aparecer suas asas, suas melhores cores, seu voo!
*Desconheço o autor.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

SERVENTIA

                            



O homem moderno deixa a sua alma de tal modo apegada ao dinheiro, não se sabe se o mal maior é possuí-lo ou não tê-lo. Chega a um ponto em que a riqueza e que passa a ser a dona do usuário.
Ao longo deste texto, citarei pensadores, escritores e filósofos buscando, nesse sentido, uma luz maior, mesmo uma ajuda, um esclarecimento à complexidade que o tema se nos apresenta.  
Pondera Bion: Não é porque se tem mais cabelos sobre a cabeça que é menos desagradável sentir arrancá-los. E bem se expressou Diógenes, quando foi informado da fuga do seu único escravo: Sou eu que estou livre.
Na compulsão de adquirir e consumir o que o dinheiro pode comprar o usuário muitas vezes se torna um viciado. Um maníaco mesmo. 
O mal deriva do excesso e termina por nos fazer covardes ante os pequenos infortúnios, os quais, na verdade, se constituem em um bem; pois nos prepara para outros infortúnios maiores.
Falando sobre o rico, a escritora Rachel de Queiroz pondera ser ele: Tão temeroso arrogante e acovardado, astucioso, desconfiado - e tão solitário. Diz ainda que o dinheiro tenha a sua poesia, poesia brutal e direta, mas poesia, sim.
Embora seja um sonho universal, a riqueza em nada acrescenta aos extremos da nossa natureza. 
O corpo e a alma são instrumentos de atualização do espírito. 
Gorgi afiança que o corpo é tão somente um saco de tripas.
A moderação em tudo, independente das posses é o fio. Ligado à tranquilidade da alma. 
Foi bem pensado a conclusão do escritor argentino Jorge Luiz Borges, quando comentou: Ninguém pode provar um copo d’água ou partir um pedaço de pão sem justificativa.
Um mau combate outro mal. 
A posse e a leitura de muitas obras quase sempre sobrecarregam o espírito sem, entretanto, ilustrá-lo. Quem detém uma rica e majestosa estante de livros, corre o risco de se tornar um mero exibidor de volumes, ou um simples leitor de etiquetas.                                                                                             
O corpo é um catre para a alma emocional e o apego demasiado aos bens materiais nos prende ainda mais ao cativeiro.
A eternidade a tudo registra da mesma forma e o tempo é como um grande rio construído de pequenos nada. Na reflexão de Demócrito, a vida é tão somente uma opinião. 
O dinheiro propicia ao pobre engambelar a sua penúria, ao rico ficar mais endinheirado. 
O pecador, a satisfazer os seus desejos e taras e ao santo a praticar as suas caridades. É o denominador comum de tudo que tem valor material.
Bom conselho doutrinário nos dá Marco Aurélio quando ressalta que: Não embeleze os teus pensamentos com a finura; não sejas loquaz nem afanoso. 
E conclui ponderando: Do corpo são as sensações, da alma os instintos, da mente o princípio. Comentando ainda: A paciência seja uma parte da justiça.
E para finalizar, nos adverte o mesmo Marco Aurélio: O que não convém ao enxame, não convém tampouco à abelha.
*Raphael Reis.
                                                                 



terça-feira, 14 de junho de 2016

PARÁBOLA DO ZÉ ALEGRIA

                                                           
Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados. 
Eles estendiam suas roupas surradas no varal e alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições.
Todos que viviam ali trabalhavam na roça do Seu João, um homem rico e poderoso, que, dono de muitas terras, exigia que todos trabalhassem duro, pagando muito pouco por isso.
Um dia, chegou ali um novo empregado, cujo apelido era Zé Alegria. Era um jovem agricultor em busca de trabalho. Recebeu, como todos, uma velha casa onde iria morar enquanto trabalhasse ali.
O jovem vendo aquela casa suja e largada, resolveu dar-lhe vida nova. Pegou uma parte de suas economias, foi até a cidade e comprou algumas latas de tinta. Chegando à sua casa, cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de colocar flores nos vasos.
Aquela casa limpa e arrumada chamava à atenção de todos que passavam. O jovem sempre trabalhava alegre e feliz na fazenda, era por isso que tinha esse apelido.
Os outros trabalhadores lhe perguntavam:
– Como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos?
O jovem olhou bem para os amigos e disse:
– Bem, este trabalho, hoje é tudo que eu tenho. Ao invés de blasfemar e reclamar, prefiro agradecer por ele.
Quando aceitei este trabalho, sabia de suas limitações. Não é justo que agora que estou aqui, fique reclamando. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer.
Os outros olharam admirados.
“Como ele podia pensar assim?” Afinal, acreditavam ser vítimas das circunstâncias abandonados pelo destino…
O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou à atenção de Seu João, que passou a observar à distância os passos dele.
Um dia Seu João pensou:
– Alguém que cuida com tanto cuidado e carinho da casa que emprestei, cuidará com o mesmo capricho da minha fazenda. Ele é o único aqui que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na administração da fazenda.
Seu João foi até a casa do rapaz e, após tomar um café bem fresquinho, ofereceu ao jovem um emprego de administrador da fazenda. O rapaz prontamente aceitou.
Seus amigos agricultores novamente foram perguntar-lhe:
– O que faz algumas pessoas serem bem-sucedidas e outras não?
E ouviram, com atenção, a resposta:
– Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito e o principal é que:
-Não existe realidade, existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca.
*Autor: Desconhecido.
                                                                       

quarta-feira, 1 de junho de 2016

INFÂNCIA UMA FASE MARAVILHOSA

                                                                       



De acordo com certas pessoas, obcecadas com saúde e higiene, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje.
Isso porque as nossas caminhas de bebê eram pintadas com cores bonitas, com tinta à base de chumbo altamente tóxicas, que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas à prova de crianças, ou fechos nos armários, e podíamos brincar com as panelas numa boa, as escadas não tinham proteção e podíamos subir e descer correndo à vontade...

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes, cotoveleiras e joelheiras, e olha que merthiolate ardia mais do que ácido pra nós!
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos de segurança e airbags, ir no banco da frente era um bônus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não de garrafa, que na época nem vendia. 
Quando queríamos uma fruta, subíamos nos pés e comíamos na árvore mesmo, sem se importar se estava sujo ou não.
Comíamos batatas fritas, refrigerantes, pão com manteiga e outras porcarias deliciosas, mas dificilmente engordávamos porque estávamos sempre loucos para brincar na rua com os amigos.
Estar dentro de casa? Só mesmo quando chovesse!
Partilhávamos garrafas e copos com dezenas de colegas e nunca morremos disso, no mais, uns dias de repouso já curavam, o difícil era repousar...
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolimã e depois andávamos a grande velocidade pela rua mais íngreme, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar algum tipo de freio..
Fazíamos pipa e jogávamos bola até anoitecer, no bolso sempre tinha uma bolinha gude esperando a vez...
Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
Estávamos incontatáveis e ninguém se importava com isso, telefone até então era só residencial... 
Brincávamos muitas vezes no meio da rua mesmo...
Não tínhamos Play Station, X Box, Internet, nada de 100 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, celulares, computadores, DVD, Tablet, Chat na Internet, e mesmo assim como nos divertíamos!!
A Tv pegava no máximo a globo, sbt e manchete!
Tínhamos amigos e para vê-los era só ir pra rua e descobrir o mundo.
Caíamos de muros e de árvores, nos cortávamos, até partíamos ossos, apertávamos as campainhas dos vizinhos, fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados!
Tudo isso sem ninguém processar ninguém!

Íamos à pé para a casa dos amigos.
Acreditem ou não íamos à pé para a escola; não esperávamos que a mamãe ou o papai nos levassem.
Criávamos jogos com simples paus e bolas.
Se infringíssemos a "lei" era impensável os nossos pais nos safarem.
Eles estavam era do lado da lei, e desrespeitá-los nem pensar! J
Já sabíamos que em algum momento iríamos ganhar uma surra, mas não importava, sobrevivíamos igual.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

E você é um deles?

Parabéns!

Para a juventude de hoje, a qual já somos considerados "velhos", eu afirmo que:

*Nunca ouviram "we are the world".
*Para vocês sempre houve uma só Alemanha, o muro de Berlim foi "só" um muro.
*O HIV sempre existiu.
*Os CD's sempre existiram. Disquete? Será que conhecem? ou Vinil talvez?
*O Michael Jackson sempre foi branco.
*Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que um dia ele foi um Deus da dança.
*Não conseguem imaginar a vida sem computadores e sem internet.
*Não acreditam que houve televisão preto e branco e quem tinha era rico, assim como os primeiros celulares que só serviam para falar e mandar sms, mais pesados que um saco de feijão.
*Será que sabem enviar uma carta?
*Será que conseguem se divertir sem ter de usar drogas?
*Será que conhecem o prazer de um livro?
*Será que sabem se envolver com uma pessoa de cada vez?
*Sabem ir à uma partida de futebol sem agir com violência?

Não sei se eles sabem, e não quero ofender ninguém, apenas constatar que as coisas mudaram muito, e nem tudo para melhor, mas é muito melhor ver isso com bom humor do que com imparcialidade, afinal rimos de nós mesmos muitas vezes.

Agora para saber se entendeu o que estava escrito acima, me respondam ou à si mesmos....

Leu tudo isso numa boa achando graça?
Precisa dormir mais depois de uma noitada? 
E quando acorda se arrepende por causa da dor de cabeça e o desgaste?
Os teus amigos estão todos casados?
Se surpreende ao ver CRIANÇAS tão à vontade com computadores?
Encontra amigos e fala dos "bons e velhos tempos"?
Reclama que os jovens de hoje não sabem se divertir?
Está sempre com uma dorzinha nas costas ou "estalando" os ossos?

Se a resposta é SIM, então bem vindo ao nosso time pois ESTAMOS VELHOS (kkkkk)...

Mas tivemos uma infância maravilhosa.