Total de visualizações de página
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
POR TRÁS DE NOSSO SUCESSO HÁ OS CALOS DOS AMIGOS
Ao sair do banheiro encontrei minha roupa arrumada e passada, bastava eu vestir.
O café da manhã já estava pronto e a marmita do dia feita.
Alguém fizera aquilo para mim. Sim, minha esposa.
Recordei-me, então, que estava formado e indo trabalhar.
Claro, meus pais deram duro para que eu frequentasse os bancos escolares e acadêmicos.
Meus filhos, que já não moram mais na mesma cidade que eu, estão saudáveis e bem cuidados.
Óbvio que há alguém cumprindo este papel.
Saí de casa e fui ao supermercado comprar abobrinha.
Que maravilha estava aquela abobrinha! Foi então que constatei: alguém a plantou, vendeu e entregou no supermercado para que eu a comprasse.
Dirigi-me ao caixa que me deu bom-dia e passou minha compra.
Ah, se não fosse aquele caixa de supermercado, a saborosa abobrinha estaria ainda na prateleira.
Ao final do dia percebi que tivera sucesso em tudo, mas eu, claro, não o conseguira sozinho, pois o meu sucesso daquele dia era o retrato do trabalho em conjunto.
Fiz uma prece de gratidão aos Céus, rogando bênçãos a todos aqueles que participaram do meu dia, empenhando-se para que tudo corresse bem.
Diariamente somos agraciados com as atitudes alheias que concorrem para o bem de nosso trabalho e de nosso sucesso.
Impossível neste mundo ser autossuficiente, fazer tudo ou, como se diz no jargão futebolístico: Bater o escanteio e marcar o gol.
Os Espíritos informam no tópico Lei de Sociedade, mais precisamente na questão de número 767, que todos trabalham para o progresso geral no auxílio mútuo.
Exatamente assim; é no auxílio mútuo e realizando nossas tarefas da melhor forma possível que construímos o sucesso nosso e dos outros.
Mas o que queremos abordar aqui é a gratidão para com aqueles que estão ao nosso redor colaborando para a nossa evolução.
Não se pode deixar de agradecer aos Céus por não vivermos sozinhos.
Por termos familiares, amigos, companheiros de jornada, colegas de trabalho, servidores públicos, funcionários de instituições que se empenham em suas atividades a fim de que tudo transcorra em ordem.
No trabalho preciso do cirurgião médico, na construção de edifícios e aglomerações comerciais do engenheiro, na sublime missão do professor de ensinar, no cuidado do bombeiro ao salvar uma vida, sempre há “os calos” de nossos familiares, amigos, colegas que se desdobram em esforço para que tenhamos sucesso.
Por isso, nunca é demais lembrar que, por trás de nosso sucesso, não raro há o pai que trabalhou para pagar os estudos, a mãe que se desdobrou para fazer nossa marmita, o avô que acordava de manhã para esquentar nosso leite.
Ensinam os Espíritos que ninguém consegue ser feliz sozinho; o sucesso de uma pessoa sempre se faz com o apoio da família, amigos e demais seres humanos.
Eis a beleza da vida, eis a graça do mundo, eis, acima, os exemplos que genuinamente nos transformam em membros de uma mesma família e filhos de um mesmo Pai..
* Wellington Balbo.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
PARA VIVER MELHOR
A importância do perdão, de modo geral, ainda não foi claramente compreendida pelos companheiros domiciliados no Plano Físico.
O espírito, em estágio na Terra, é um inquilino do corpo em que reside transitoriamente.
Imaginemos o usufrutuário da moradia a martelar estruturas da sua própria casa, em momentos de revolta e azedume.
Quanto mais repetidos os acessos de amargura e ressentimento, mais ampla a depredação em prejuízo próprio.
Esse é o quadro exato da criatura, habituada às reações negativas, nos instantes de prova ou desagrado.
Daí nascem muitas das moléstias obscuras, diagnosticáveis ou não, agravando as condições do veículo físico, já de si mesmo frágil e vulnerável, embora maravilhosamente constituído.
Se tens mágoa contra alguém, observa que esse alguém não terá agido com os teus conceitos e pensamentos.
O amor nos vinculará sempre a determinado grupo de pessoas, entretanto, em nosso próprio benefício, amemo-las, tais são, sem exigir que nos amem, sob pena de cairmos frequentemente em desequilíbrio e abatimento.
Doemos alma e coração aos seres queridos, sem escravizá-los a nós e sem nos escravizarmos a eles.
Por muito se nos enlacem no mundo físico, sob as teias da consanguinidade, saibamos deixá-los libertos de nós, a fim de serem o que desejam, na certeza de que a escola da experiência não funciona inutilmente.
A criança é responsabilidade nossa e responderemos, ante as leis da vida, pela proteção ou pelo abandono que estejamos devotando aos pequeninos confiados à nossa tutela temporária.
Os adultos, porém, são donos dos próprios atos e, não será justo chamar a nós, a consequências das empresas a que se adaptem ou dos caminhos que escolham, tanto quanto não seria razoável, atribuir a eles os resultados de nossas próprias ações.
Perdão e tolerância são alavancas de sustentação da nossa paz íntima.
Desculpar faltas e agravos será libertar-nos de choques e golpes que vibraríamos sobre nós mesmos, criando em nós e para nós, dilapidações e doenças de resultados imprevisíveis.
Ensinou-nos o Cristo: - "Perdoa não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes".
Isso, na essência, quer dizer que não somente nos cabe esquecer as ofensas recebidas em proveito próprio, mas também significa que seria ilógico disputar atenção e carinho daqueles que porventura nos agridam, já compromissados, por eles mesmos, nas equações infelizes das atitudes a que se afeiçoem.
Em suma, para quem quiser na Terra trabalhar e progredir com mais saúde e paz, alegria e segurança, vale a pena perdoar constantemente para viver sempre melhor.
* Livro: Amigo - Psicografia: Francisco C. Xavier - pelo Espírito de Emmanuel.
domingo, 6 de setembro de 2015
O PERDÃO
O perdão é para quem se sente agravado por alguém, em seu amor próprio.
Quem te fere te atinge em tua fragilidade espiritual.
E, portanto, deves examinar não só a possibilidade de perdoar ao ofensor quanto a de corrigir-te no que te fez suscetível ao melindre.
Jesus, ao expirar no madeiro, não disse: "Eu lhes perdôo!..." O Mestre não se sentia vilipendiado.
Se não existisse a ofensa, a necessidade de perdoar não existiria.
A questão é que o homem, que se considera bom, se sente magoado; portanto, ele não é tão bom quanto imagina ser.
Há mais grandeza em se pedir perdão, do que propriamente em perdoar - em admitir-se na condição de verdugo, que de vítima.
A falta de indulgência pressupõe um vínculo com o mal, pois quem se recusa a perdoar é co-autor da atitude infeliz que, de sua incompreensão, se alimenta.
Jesus Cristo pediu a Deus que perdoasse a Humanidade, ou seja, que o homem se acertasse com a sua consciência e não com Ele, que só tinha amor em seu coração.
*IRMÃO JOSÉ, DO LIVRO DE ÂNIMO FIRME, PSICOGRAFIA DE CARLOS A. BACCE
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
SINTONIA DE FEITOS
Arma de alto teor mortífero é a murmuração dos intrigantes.
Ela não silencia, porque os seus autores se comprazem em malsinar todos quantos lhes são antipáticos, aversão essa que nasce da própria inferioridade por não os poder superar no palco infeliz das sórdidas competições.
Põem-se em vigília permanentemente e filtram todos os acontecimentos através das suas lentes sombreadas de perversidade.
Dão início às redes de intrigas, são hábeis na arte de confundir e de alterar palavras, possuindo incomum capacidade para discutir vãmente, porque são preguiçosos para o trabalho, e não possuindo idealismo legítimo se aglomeram em torno dos verdadeiros combatentes, para serem vistos e aclamados, tornando-se-lhes rudes provocações.
Nem mesmo Jesus escapaou-lhes à sanha. Sempre estiveram à Sua volta, tentando espizinhá-lo, deturparem as Suas informações, e colhê-lo em algum item que o lançasse contra a Lei e os doutos astutos.
A seara é grande e os obreiros dispostos para trabalhá-la ainda são poucos.
Ele terá que fazer tudo: encontrar o solo, prepará-lo, nele semear, cuidar no período de germinação para que as pragas não causem danos e seguir o crescimento das plântulas até que se robusteçam, tornando-se ricas de flores e doando frutos em abundância.
Os caminhos são longos e difíceis de ser vencidos. As multidões se revezam e os tumultos não cessam.
Em menos de três anos Ele percorreu aqueles sítios áridos, passando pela Galiléia várias vezes, de um a outro ponto; depois visitou a Jerusalém despótica por diversas ocasiões, especialmente para ver o lugar onde deveria ser executado; alongou os Seus passos pelas longínquas regiões de Tito e Sídon, na fronteiriça Fenícia; nas barcas enfunadas atravessou o lago de mais de dez quilômetros de largura e alcançou a Decápole, a Batanéia, conseguindo levar a voz e o exemplo à Cesaréia de Felipe.
Nunca repousava. O tempo, que urgia, voava ao Seu lado, que o ultrapassava em atividades ininterruptas.
As batalhas são cruéis e as armas que usavam os Seus inimigos gratuitos - os permanentes adversários da Humanidade - são a traição e a infâmia, o suborno dos sentimentos e a mentira, que se espalham como rastilhos de pólvora e são do agrado de todos quantos as aceitam.
A Sua fama precede-O e Ele não tem o direito a pouso de paz nem o repouso da recuperação, senão nos grandes silêncios com Deus.
Estando em Caná, após o fenômeno da transformação da água em vinho, a pedido da Sua Mãe, um régulo O alcançou, e porque o filhinho estivesse vitimado por enfermidade mortal, em estado desesperador, suplicou-lhe:
- Senhor, desce o mais depressa possível, antes que meu filho morra.
Penetrando o abismo da consciência humana com a Sua acuidade incomum, Ele percebe o amor desse pai angustiado e perscruta da enfermidade do filho, a fim de não infringir a Lei de Causa e Efeito, e diz-lhe com misericórdia:
- Vai, O teu filho vive.
Uma explosão de júbilo, dança na alma do genitor aflito que corre de retorno ao lar, para conferir a bênção de que foram objeto, ele e a sua família.
E porque seguisse na direção de Cafarnaum, à entrada da cidade, um leproso em desespero reconhece-O e grita em prantos.
- Se queres, podes limpar-me!
É mçais um desafio. Os que o seguem se detêm observando. É sempre a mesma sociedade que quer ver sem cessar, até a exaustão, sempre insatisfeita e duvidosa.
Um sentimento de profunda misericórdia domina o Mestre, e Ele, tocando o enfermo responde, complacente:
- Quero.
Num átimo, como se um raio fendesse a claridade do dia alcançando o enfermo, curou-o.
Sem poder dominar-se o homem canta e exalta-O, no que vai repreendido, silenciando, para prosseguir narrando o feito, logo que se encontra distante do Seu Autor.
Cafarnaum estava esplendente de luz e movimentação.
A chegada do Rabi provoca alteração expressiva no seu lufa-lufa cotidiano. Embora Ele tentasse passar discreto, isso era impossível ali, como se daria em outros lugares.
Desse modo, como era do Seu hábito, ao amanhecer, pôs-se a pregar para a multidão na proa do barco de Pedro.
Encerrando o discurso iluminativo, disse ao Filho de Jonas:
- Faze-te ao largo e lança as redes (*)
O hábil pescador, que conhecia profundamente o seu ofício, e percebendo a impropriedade da proposta, redargue:
- Senhor, havendo trabalhado toda a noite, não apanhamos um só peixe, porque as circunstâncias são adversas à pescaria, face ao aspecto das águas; às condições atmosféricas pesadas.
Ele, porém, insiste:
- Faze-te ao largo.
Não há outra alternativa, senão obedecer. Entretanto, esclarece:
- Sob Tua palavra, tentarei, Mestre, conquanto todos saibam que vou praticar um ato incompreensível a qualquer pescador.
Pedro remou com desconfiança e rebeldia, e atirou as redes às águas encrespadas.
Imediatamente começou a gritar, solicitando auxílio aos amigos que se encontravam em outro barco e correram na direção, deslizando rapidamente sobre as ondas.
Reunidos, notaram ao peso das redes, que mal podiam puxar, conseguindo repletar ambos os barcos com peixes.
Chegando à praia, ainda em aturdimento, Simão gritou, atemorizado:
- Senhor, ausenta-te de mim, que sou um pescador.
Mas, Ele, porém, misericordioso e sábio, elucidou:
- Não temas, Simão; de agora em diante, serás pescador de homens!
Agora, nada mais poderá deter a marcha da evolução. Ele não mais evitará que sejam anunciados os Seus feitos, nem comentadas as Suas ações.
A luz veio para clarear o mundo em sombras. Era a Luz que resplandece através dos milênios e não O souberam aceitar. Mas a Luz permaneceu e ressurge sempre esbatendo as sombras interiores e anunciando o Grande e Maravilhoso Dia da felicidade geral.
Os déspotas, os perversos, os ignóbeis, os bajuladores e os subservientes, os exploradores e aproveitadores do povo ignorante, os dominadores de um dia passaram, foram substituídos, odiados e esquecidos, enquanto Ele, perseguido e malsinado, obstinadamente rejeitado, prossegue chamando os homens e as mulheres à renovação.
A partir daqueles momentos, nunca mais permanecerá muito tempo em algum lugar, estará sempre mudando de caminho e praias, aportando junto aos destroçados corações.
*Pelo Espírito Amélia Rodrigues / Divaldo Pereira - Franco obra: Até o Fim dos Tempos.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
IDOSOS E SOCIEDADE
Um importante fenômeno demográfico e social está presentemente em curso, ou seja, o substancial envelhecimento da população. Seus efeitos são claramente visíveis, particularmente no Ocidente.
Para ser mais exato, os adultos com 60 anos ou mais de idade já representam um quinto da população nos países desenvolvidos, e as previsões indicam que serão um terço por volta de 2050.
Em decorrência dessa tendência, na Europa, por exemplo, as preocupações estão no momento fortemente concentradas na busca do equilíbrio dos sistemas previdenciários. De modo geral, a relação entre os adultos participantes da população economicamente ativa e o número de idosos, que se beneficiam de aposentadorias e outros programas assistenciais, é desproporcional.
A gênese desse problema está ligada ao aumento da longevidade e o fato de que as novas gerações estudam muito mais anos em cursos de graduação e pós-graduação do que as precedentes e, em consequência, demoram mais tempo para ingressar no mercado de trabalho.
Quando, enfim, optam por formar as suas próprias famílias, os casais têm, em média, um filho.
Segue daí que as contas públicas não fecham, os déficits previdenciários são crescentes e a necessidade de implementação de medidas adicionais (amargas, por sinal) parece ser inevitável.
O Brasil, por sua vez, vem sentindo os efeitos daí decorrentes. De fato, as previsões do IBGE, nesse particular, são altamente preocupantes.
Veja-se, por exemplo, que os dados colhidos pelo instituto indicavam que, em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos, havia 24,7 idosos com 65 anos ou mais de idade.
No entanto, as projeções sugerem que, entre 2035 e 2040, haverá muito mais população idosa chegando a alcançar uma proporção 18% superior à de crianças e, em 2050, a relação poderá ser de 100 para 172,7.
Outro dado alarmante: em 2000, para cada pessoa com 65 anos ou mais de idade, aproximadamente 12 estavam na faixa etária chamada de potencialmente ativa (15 a 64 anos de idade).
Contudo, as projeções mostram que já em 2050, a relação entre ambos os grupos de idade passa a ser de 1 para pouco menos de 3. Estatísticas à parte, o Brasil conseguiu o expressivo feito de implantar um estatuto especificamente voltado ao idoso.
Em tese, tal regulação deveria contribuir significativamente para atenuar as agruras da velhice.
Todavia, é notório que a situação do idoso brasileiro é cercada por dramaticidades sem conta.
Senão vejamos: baixo valor pago às aposentadorias (o fator previdenciário simplesmente sequestrou a renda justamente conquistada por esse grupo, o que constitui, indiscutivelmente, uma das maiores arbitrariedades já praticada neste país), custo elevado dos remédios e planos de saúde, infraestrutura inadequada, situação de dependência e percepção de desamparo, entre outras coisas.
Os nossos velhos estão longe de viver o tratamento e a atenção dispensada aos seus semelhantes na Suécia, por exemplo.
Não bastasse isso, observa-se igualmente um indisfarçável conflito inter geracional, especialmente nas grandes cidades. Ou seja, o tratamento dado ao idoso pelas gerações mais jovens na atualidade prima, não raro, pela indiferença e frieza.
Em viagens de metrô, trens ou ônibus abundam as situações de indelicadeza e ausência de empatia em relação aos mais idosos, não obstante a profusão de avisos e advertências.
Tal constatação nos leva a crer que a velhice está sendo muito mal recebida pela sociedade brasileira contemporânea.
Ao que nos consta, não há um estudo detalhado sobre o assunto para explorar, mas os exemplos de tal distorção comportamental são obviamente onipresentes.
Há aí, evidentemente, um componente educacional que precisa ser apropriadamente enfocado.
A começar pelo berço, embora os pais hodiernos tendam a ser emocionalmente distantes e, as suas orientações, pouco ou nada efetivas.
Dito de outra forma, as novas gerações precisam ser ensinadas desde cedo – por mais óbvia que tal sugestão possa ser – a respeitar o idoso, a conviver harmoniosamente com a velhice e a dar primazia às suas necessidades.
A questão é básica. Ser um dia idoso é destino inexorável de todos, conforme estabelecem as leis da vida. Salvo alguma eventual exceção, deveremos transitar – consoante a lógica da vida – um dia por essa fase biológica que, na precária condição terrena, vem acompanhada de limites e restrições inumeráveis.
Desse modo, não fazer aos outros aquilo que não desejamos para nós representa uma norma cristã basilar de vida.
Portanto, alocar espaço apropriado para o idoso e respeitar os seus limites denota boa conduta humanitária e espiritual.
Não tenhamos dúvida também que lidar com um número crescente de idosos exigirá muito mais paciência e sensibilidade de todos nós.
Mas esse é um preço justo derivado do simples fato de se viver em sociedade. Mas ao atender digna e respeitosamente a um idoso estamos trabalhando, na verdade, pelo nosso próprio bem, pelo nosso amanhã.
* Anselmo Ferreira de Vasconcelos.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
PIOR É A CRISE DA ALMA
Crise é a palavra do momento, no mercado mundial.
Na verdade, nem a palavra, nem a situação são novas.
Todas as células sociais já viveram fases de crise, em épocas diferentes e em razão das mais variadas causas. E, como tudo na vida, todas elas passaram como essa também haverá de passar.
Há muitos interesses e riscos em jogo e há muita gente empenhada em não sair perdendo.
Essa introdução serve apenas para tocar no ponto principal deste artigo, que não é sobre crise, mas sobre Felicidade. O tamanho de qualquer crise é decisivamente influenciado pelas forças ou fraquezas interiores de cada pessoa.
Ou seja: não é a ausência de crise que garante a felicidade de alguém. Se assim o fosse, pessoas ricas, famosas e poderosas – portanto, potencialmente imunes às crises - não seriam tão infelizes quanto se tem conhecimento através da mídia. Certamente na maioria dessas pessoas, a crise é da alma e não da conta bancária. Você trocaria sua felicidade pelo primeiro prêmio da Mega Sena? Pronto, então você me entendeu.
Outro dia, um amigo contava que certa noite faltou energia elétrica no bairro onde mora. Uma “crise” – guardada as devidas proporções – pois ninguém da família queria abrir mão da TV, do computador, da geladeira, da leitura e outras coisas que dependem da energia elétrica. Foi então que alguém teve a feliz ideia de se reunirem na sala, às escuras, para contarem “causos”, piadas e até cantarem – pais, filhos, irmãos e netos. Meu amigo jura que foi uma das melhores noites que a família passou junto. Sentiram-se realmente uma família, como há muito tempo não acontecia. Isso foi possível, apesar da “crise” da escuridão, porque a alma deles estava iluminada.
É preciso que a alma esteja em paz para que a pessoa possa vencer ou administrar uma crise, seja ela de que natureza for. Isso significa uma alma sem culpas, sem medos e sem rancores – e, ao mesmo tempo, com paciência, serenidade, compreensão e fé. Só assim a pessoa conseguirá produzir a energia de que necessita para encontrar saídas e soluções – e ser feliz. Almas perturbadas não são boas inspiradoras, muito menos boas conselheiras.
A crise que assola o mundo é séria e preocupante, principalmente porque muitos empregos estão em jogo. Por isso mesmo, merece uma postura serena e comedida dos gestores e governantes.
É nesses momentos difíceis que a verdadeira liderança é posta à prova. Navegar em águas tranquilas, qualquer marinheiro principiante tira de letra. A competência do marujo se percebe mesmo é nas grandes tempestades.
A crise não precisa necessariamente conduzir ao pânico, há um universo de maneiras diferentes e positivas de encará-la. A questão é que sem paz na alma nenhuma boa ideia vem à tona e, assim, não há disposição nem inspiração para a luta.
Tenho para mim que quando a causa do problema gira em torno da ciranda dos números, a solução é mais fácil de ser encontrada do que quando o que está em jogo é a crise da alma. Nesses casos a solução é mais complicada, porque depende de algo subjetivo, invisível, impalpável e que muitos teimam em desconhecer e em não sentir.
A crise da alma, quando não cria, ela própria, outras crises, impede a pessoa de gerar alternativas generosas para si e para os outros, impedindo-a, assim, de reencontrar o equilíbrio, o potencial criativo e o caminho do crescimento.
Ou seja: o princípio ativo do antídoto que minimiza ou soluciona a maioria das crises e nos aproxima da Felicidade, está mais ao alcance das pessoas do que elas mesmas podem imaginar.
*Floriano Serra psicólogo, escritor e palestrante.
domingo, 30 de agosto de 2015
A ESPERA
Um dos principais males que afligem o ser humano nos dias atuais é a ansiedade.
Há um desespero predominante em querer realizar os desejos de maneira instantânea.
Neste anseio pelas realizações, perdemos uma das maiores riquezas da vida, que é o usufruir do momento presente.
Isto acontece porque, ao longo do tempo, nos esquecemos de que somos parte indissociável da natureza e, por essa razão, o mais sensato seria que vivêssemos em perfeita sintonia com o ritmo dela.
Se conseguirmos paralisar por alguns instantes nossa ansiedade, e recordar como tudo na existência precisa de um tempo certo para germinar, gerar frutos e amadurecer, certamente nos libertaremos da angústia que é gerada pela necessidade de apressar o ritmo natural da vida.
Nosso ego não aceita ser contrariado em seus desejos, por esta razão, ele nos leva a agir de modo impulsivo, buscando fazer com a realidade se molde à nossa vontade.
Quando isto não acontece, somos dominados ou pela revolta, ou pelo sentimento de vítimas e, rapidamente, buscamos dentro de nós um motivo qualquer que explique a razão pela qual estamos sendo punidos.
Se encontramos uma explicação, ela vem seguida pela culpa e nos atormentamos, remoendo o arrependimento. Se não identificamos um motivo, aí então, culpamos Deus, outra pessoa ou qualquer circunstância externa pelo nosso sofrimento.
O fato é que raramente nosso ego assume que ele próprio afasta a realização de nossos objetivos, ao se deixar dominar pela urgência e pelo desespero.
Aprender a esperar é um dos maiores desafios da vida, mas é também o que pode nos proporcionar as mais valiosas lições, no que diz respeito ao crescimento interior, à maturidade e à sabedoria.
Nós nos esquecemos de como esperar; este é um espaço quase abandonado.
No entanto, ser capaz de esperar pelo momento certo é nosso maior tesouro.
A existência inteira espera pelo momento certo.
Até as árvores sabem disso - qual é o momento de florescer, e o de deixar que as folhas caiam, e de se erguerem nuas ao céu. Também, nessa nudez ,elas são belas esperando pela nova folhagem, com grande confiança de que as folhas velhas tenham caído, e de que as folhas novas logo estarão chegando.
E as folhas novas começarão a crescer. Nós nos esquecemos de como é esperar: queremos tudo com pressa. Trata-se de uma grande perda para a humanidade...
Em silêncio e à espera, alguma coisa dentro de você vai crescendo - o seu autêntico ser.
Um dia, ele salta e se transforma numa labareda, e a sua personalidade inteira é estilhaçada: você é um novo homem. E esse novo homem conhece os rumos eternos da vida.”
*Osho.
Assinar:
Postagens (Atom)












